quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Carolina

Após a leitura do livro de Carolina Maria de Jesus, Quarto de Despejo, uma coletânea de diários escritos por ela na década de 50, eis que andando no centro da cidade do Rio de Janeiro, deparei-me com uma pessoa semelhante ao imaginário que fiz dela,  parecia que havia me encontrado. Ela me abordou e como sempre meu primeiro ímpeto foi dizer: Desculpe estou com pressa! Porém, nossos olhos se encontraram e a ouvi: Tia a senhora é como eu, olhe para mim e me entenderá, saberá o que passo, o que sinto; ninguém me enxerga tia; e chorando, olhos nos olhos continuou, já não aguento mais o sofrimento, a fome, estou com fome tia, muita, tenho fome de comida, não sei o que é um prato de comida há dias. Negra, jovem, o corpo dava para ver as veias saltadas de tão magro, cabelo desgrenhado, vestido vermelho de malha estampado de um ombro só, sem seios, pés descalços naquele asfalto quente. Pela forma de pronunciar as palavras vi que não era inculta não. Pensei: R$20,00 deve dar para pagar uma refeição. Abri a bolsa tranquilamente, peguei na carteira, sem medo algum,  o dinheiro e lhe dei. Ela pegou o dinheiro com cuidado, agradeceu e sem jeito falou: Desculpe a senhora teria mais R$4,00? Porque assim compro duas quentinhas, uma levo para minha mãe. Falei: Você não está me enganando né? Seja honesta. Ela: Não Tia essa qualidade é a única coisa que me resta, a de dizer a verdade, ser sincera. Peguei mais R$6,00 que tinha e lhe dei e falei com os olhos marejados: Acredito em você, vá se alimentar. Ainda a acompanhei com o olhar até uma lanchonete do outro lado da Av. Rio Branco antes de seguir apressada com meus afazeres e pensando: Não acredito em toda e qualquer notícia que vejo na internet,  em políticos salvadores da pátria e que fazem promessa não, mas um olhar como aquele acredito, me consterna, dá vontade de levar pra casa, dar banho, lavar-lhe os cabelos, adotar, e vê-la caminhar de cabeça erguida como um ser de Deus. Uma refeição no dia de hoje, amanhã como será? Como conseguirá sair desse círculo de fome?

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Conversa com o filho

Conversa aleatória com o filho de manhã e outras que gostaria de dizer: Ele tem 25 anos, está gripado, com uma tosse que preocupa. Vou fazer café, mas a água se transforma em chá contra gripe para ele. Rimos e digo, filho quando eu não estiver mais aqui você se lembrará de mim? Claro mãe. Vai se lembrar de botar camisa quando faz frio e tirar quando faz calor? Vou mãe. De não ficar com os pés no chão frio quando estiver gripado? Vou mãe. De comer com moderação e tomar cuidado com o que come? Por exemplo comer menos cachorro quente e refrigerante nas festas? Vou mãe, e quando comer algo bom vou lembrar que você gostaria de comer um pedaço comigo. Filho, você irá ficar atento a tudo que ronda seu coração, às mensagens ruins contrárias ao amor ao próximo? Ficará afastado de armas e todas as coisas que humilham e entristece o coração das pessoas?  Faço isso sempre mãe quando leio algo na internet, quando estou com meus amigos, na rua, no trabalho, em todo lugar. Eu confio em você, hein Filho? Eu também em você mãe, a sinto sempre comigo. Emocionada e feliz aqui.

A cor da resistência

Sempre fui essa branca, cor de burro quando foge, com esse cabelo sarará, crespo quase pichainho, e sempre  ouvi indiretas para alisar o cabelo, que cabelo liso é cabelo bom, etc. Houve um tempo em que induzida por tais preconceitos,  alisava, aloirava o cabelo, sem perceber disfarçava vestígios de minha origem, como eu era, algumas nem se dão conta que não se aceitam e por isso ainda se escondem;  mas nada se compara ao estigma, à dor  de quem tem a pele negra, os traços da negritude. Pois hoje, se houvesse mágica queria que Deus jogasse um balde de tinta em mim, me fizesse com a pele bem pretinha, bem retinta pra fazer conjunto com meu cabelo, me enfeitaria com as cores mais belas, passaria óleo e hidratante pra cuidar dela e ficaria bem reluzente, cuidaria mais do meu corpo, ressaltando todos os meus traços, me esforçaria ainda mais  para ficar bem pertinho dessa gente ruim que tudo faria para me diminuir, minha satisfação seria desfilar na cara dele/dela, da sociedade inteira, as faria vomitar toda a sua repulsa, até passarem mal. Gente ruim, mais ainda quando acham que é mimimi, mais ainda são aqueles que esqueceram de si, de seus ancestrais, de sua origem, de sua história e fazem papel do feitor, do capitão do mato, do dono do engenho, do dono de escravos. Esses que me fazem chorar hoje, haverão de queimar no quinto dos infernos. Ah se vão! Praga de mãe é bendita e forte.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Pegue suas armas

Meu coração sangra, quase ouço os gritos dos excluídos ao ler as notícias que me chegam pelas redes sociais, sim, no momento essas são como as vielas das favelas a escoar as dores, a opressão, o medo, o pranto. É possível ver o olhar frio, inerte, a arma, o dedo no gatilho e o tremor, o pavor nos becos. Todos somos vítimas, alguns mais que outros por certo. Triste destino. Destino? O que leva alguém a nascer pobre, favelado? Ou se tornar... a carregar as mazelas do mundo? É pertinente que continue assim, afinal em quem se irá pisar, lançar um olhar de desprezo se todos tiverem igualdade social? Sobre os ombros de quem se atribuirá a culpa que não é minha, mas que é sua? Afinal quem mandou nascer pobre? Pobre tem mais é que aguentar mesmo e calado sem reclamar. Vá meu filho, minha filha, continue sendo subserviente, você não tem direito a se divertir, no máximo trabalhar e olha lá! Vá, acorde cedo esqueça o que viu, cuidado para não perder o horário do ônibus, foque no trabalho, não olhe pra trás. Querendo ou não, o trabalho é a única coisa que te mantém vivo/viva. Vez ou outra, além da notícia que corre pelas redes, é possível ouvir os pipocos, fuzil? Nossa, muito tiro, que arma será? Não passe por lá, melhor não sair, quem tá dentro não sai, quem tá fora não entre, não passe perto, ignore, caramba! Um bando de garotos, com armas maiores que eles, foi o que ouvi dizer, como pode? Como essas armas chegam? Ué, não é proibido? Ah é o tráfico, eles conseguem qualquer coisa... eles quem? Os pobres, os favelados? Sim, quer dizer não, sei lá... forças poderosas  estão por trás, financiando, controlando, matando, ganhando com isso. Sim, muito dinheiro circula, que mal há que os pobres morram? Que essa rapaziada morra? Afinal qual perspectiva têm? Atrás de um, há um monte, vão chegando gente, escolham sua armas.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Torre de Babel

Uma das passagens bíblicas cita a “torre de babel”, onde as pessoas falam várias línguas e não se entendem, já naquele tempo chamava atenção essa característica humana, a dificuldade de comunicação;  cada pessoa quer à sua maneira falar, dizer o que pensa; porém não ouve, não escuta, não fica atenta aos sinais, à expressão corporal, à entonação, às vírgulas, aos pontos. Daí o que se vê são vozes alternadas, descompassadas, alteradas, gritos, xingamentos, agressões. Vozes faladase/ou escritas expressas de modo físico ou virtual. Agressões virtuais, físicas. No tempo atual, com o advento dos computadores, cabos de rede e yos várias meios de comunicação à distância (virtuais), a chamada internet em muito facilitou o envio e troca de informações, porém quando trata-se de exposição de ideias, opiniões pessoais, a dificuldade de comunicação aparece de forma mais acentuada. Esse talvez seja o grande desafio da humanidade ou seja, que os seres humanos consigam se comunicar de forma clara, inteligível, que exponham sua real intenção, a mensagem que se quer transmitir. A chamada mídia (jornais, revistas e outros impressos, televisado e da internet ou seja, meios de divulgação de notícias, fatos e informações de interesse público) contribuem de forma irrelevante para a mitigação do problema pois ao escrever as matérias, poucas pessoas têm o cuidado exigido para com a escrita. Ou seja, cada vez menos as pessoas estão se comunicando. Junte-se a isto o fato da mídia procurar atender aos grandes grupos econômicos, seus financiadores, seguem com passatempos, futilidades e distorcem a notícia, capricham na manchete, aproveitando se do fato histórico do pouco hábito de leitura das pessoas e assim cumprem seu papel, de passar mensagens subliminares, tendenciosas de forma atender seus interesses, a chamada manipulação das massas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Procurando alegria

Procurando alegria, onde estás querida? Porque não me encontras? Sei que estás por aí, nas coisas simples do dia a dia, bora procurar.

Todos os dias

Todos os dias, o mesmo ritual. Higieniza o corpo,  hidrata o corpo, o rosto, se embeleza,  coloca um sorriso, olha a "cara" do dia, o humor, coloca um pouco de cor, e sai pra vida, porque do contrário não seria vida, seria uma coisa amorfa, sem dor, sem riso, sem risco, sem luz, porque a luz que você vê é a que você carrega e que emana do outro, que faz com que não importa a "cara" do dia, é você que o faz bom ou ruim. Sim, você tem esse poder.

Conselho

Ao menor sinal de desânimo, dê o primeiro passo, coloque-se em movimento e as boas energias surgirão. Ouça o som dos passarinhos, estão fazendo uma sinfonia pra você. Veja o colorido, um broto, uma flor surge  em algum lugar. Vez em quando mergulhe na escuridão, mas vá de encontro ao sol, esse movimento nos faz renascer a cada manhã.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Causo moderno

A história se passa em uma marmoraria, o ambiente é descontraído, muitos homens, machões, com fama de pegadores, sabem como é, não podem ver mulher... Joãozinho é um fanfarrão, diz que não gosta da mulher que mora com Ele, que tá com Ela só porque o filho é especial e Ela é totalmente dependente dele, mas segundo ele, mesmo assim se pegam de vez em quando. O Zé ficou viúvo duas vezes, não teve sorte segundo Ele, mas é namorador, adora uma novinha, uma conquista. Zé vez ou outra está com o celular na mão, só no ZAP ZAP, outro amigo curioso provoca: e aí Zé, só zapeando, qual a novidade da vez? Zé não quer mostrar, e na brincadeira/provocação, o amigo toma-lhe o celular, vê coraçõezinhos, beijinhos, palavras sedutoras, apaixonadas, e continua a provocação. Ãh agora quero ver quem é, humm até que é bonitinha, você não é mole não. Olha aí pessoal, maior gata. Outro colega vê a foto, e com ar de espanto diz: Conheço essa aí, é a mulher do Joãozinho! Gargalhadas, gozação geral com a cara dele, chamam-no de corno, chifrudo e outros termos pejorativos. O clima esquenta, Joãozinho parte pra cima do Zé, bate, xinga, a turma tenta apartar. A chefe, ouvindo e vendo a confusão, bota ordem no pedaço, Ela que sabe a história de todos chama o Zé num canto e conversa com Ele: Zé você também hein? Tinha hque pegar a mulher do cara que trabalha com você? e outr, você pelo menos usou proteção? Não, né? Ela sabe que você tem AIDS? Que você já perdeu duas esposas devido a essa doença? Falar e nada é a mesma coisa, Ele não tá nem aí. Joãozinho por sua vez, chegou em casa e desceu o cacete na mulher, e esta disse que quis sacaneá-lo mesmo, dar-lhe o troco, para ele deixar de ser galinha. Zé no dia seguinte vai armado pro trabalho, para matar o João. Confusão, polícia e demissão de ambos. Tempos depois a patroa em uma festa, conversa com outra mulher e esta está feliz porque a filha que tem dois filhos e é sozinha finalmente encontrou uma pessoa de bem, um cara boa pinta, simpático, o José seu ex funcionário. A patroa explica que Ele já não trabalha com Ela e pergunta se a filha sabe que ele tem AIDS, desespero da outra, acabou a festa pra Ela. A patroa ainda quer ter oportunidade de reencontrar o João e contar pra Ele sobre a possibilidade de Ele e/ou a mulher terem pego AIDS para que ambos procurem um médico para investigar e se tratarem. Enfim, esse Zé vou te contar, não é mole não, é um conquistador mesmo, um Zé mané, e pensar que como Ele e o João há muitos por aí. É fulano que come sicrana, que dá praqueleoutro, um pega pega geral, uma suruba só, e a AIDS silenciosa corre solta por aí e os valores, a auto estima se esvaindo também.

terça-feira, 3 de julho de 2018

A Carta

Uma carta.

Procuro palavras não as encontro, então vão meio atropeladas mesmo. Sei que às vezes quando a pessoa que não se ama, não tem auto estima e não se valoriza o suficiente, fica procurando se encontrar; e algumas tendem a dar ouvidos a qualquer canto de sereia. A fábula da sereia é mais ou menos como a do lobo, que para os ouvidos dos incultos são uma armadilha. O ser é envolvente, diz as coisas que você quer ouvir, pressente que você está carente, perdida e como um(a) predador(a) que é, envolve a presa numa armadilha, às vezes sem volta. Por isso as palavras que quero lhe transmitir são as seguintes: Você mal conheceu alguém e o/a acha tão interessante a ponto de se dizer apaixonada(o), e já está envolvida a ponto de não ver mais nada. Mais uma vez não quer dar ouvidos às pessoas que te amam, né? Até já está pensando em se juntar a Ele(a) ainda que vários sinais lhes diga que não.  Claro, você pode fazer isso. Acha que não deve satisfação a ninguém, afinal a vida é sua. É auto suficiente... . Muito bem, em algumas coisas  tenho que concordar, afinal você não é mais nenhuma criança (embora aja como tal) a escolha é tua, sempre é; porém antes de fazer qualquer coisa proponho-lhe um exercício: Olhe para dentro de si mesma(o) olhe quem você é, aonde chegou, aonde poderá chegar, olhe o que quer construir pra sua vida, olhe para quem verdadeiramente te acompanha, para as criaturas que te amam, que precisam de você e que sejam prioridade na sua vida;  feito isso, agora olhe para essa outra pessoa; que te lança olhares, te  envolve com elogios,  que acaricia  teu corpo de modo sedutor, que lhe quer de qualquer maneira, que você acabou de conhecer. Olhe, olhe  friamente e com um certo distanciamento analise:  Quem é ele(a), quais seus hábitos, como ocupa seu tempo, quais suas reais intenções, qual seu círculo de amizade, que tipo de ambiente frequenta, tem sonhos, trabalha por eles?  Feito isso e se ainda assim o quiser,  fazer o quê não é, "é por sua conta e risco", só não envolva gente inocente. Concluindo, tenho certeza que após esse exercicio, duvido que você inteligente como é, insistirá nessa ou em outra qualquer relação parecida.  Irá dar um tempo, um bom  tempo para seu crescimento e fortalecimento pessoal, irá se amar; muito a ponto de encontrar sua paz interior, a paz que tanto procura, portanto fique calma(o), firme, tranquilo, é difícil sei, mas é preciso para sua felicidade;  permita se  conhecer melhor a si mesma(o),  assim não irá entregar-se facilmente a qualquer pessoa, afinal você não é algo exposto na vitrine para quem queira, levar.   Acredite, Você é um ser precioso, a força está contigo. A casa da gente é um santuário, cuidemo-na.

Egoismo e abandono


"O que os olhos não vêem o coração não sente" e assim muitos e muitas continuam a praticar coisas nem sempre louváveis, algumas até abomináveis, e muitos percebem e fingem que não vêem. Vamos tocando a vida, cuidando do próprio umbigo, preocupamos com a vida dos outros, mas ações reais de orientação e ajuda pouco se faz e no final acredite não está na sua vontade querer que a pessoa faça ou deixe de fazer alguma coisa, e ela fará de uma forma ou de outra se decidir, afinal tudo foi/ é somente por sua conta, não é? As pessoas estão abandonadas à própria sorte, crianças ou não. Se você tem estrutura, apoio e orientação espiritual,valorize e dê se por feliz.

Festa

É tanta notícia ruim e triste que quanto mais ouço, mais e mais quero fazer festa, para espantá-las e valorizar as boas.

Sorriso, minha arma

O sorriso é minha arma, com ele supero a dor da saudade, das partes de mim espalhadas. Sigo com um sorriso na cara e com o coração enorme de carinho contido, guardado. Ah aguarde-me. Quando chegar, haverá uma profusão de alegria, quero todo o amor extravasado, sem moderação.

Sou daquelas

Sou daquelas que fica procurando no dia a dia as coisas boas, atenta às sensações da pele provocadas pelo vento, pelo sol, pela chuva; que aprecia a lua, o som da música, dos passarinhos e seu revoar, o sobrevoo e beleza das borboletas, que gosta de cor, de toda a cor e especialmente que gosta de gente, de ficar rodeada de gente, do mistério e possibilidade de descobertas que cada ser carrega, e por isso aprecia uma boa conversa, da riqueza que é descobrir e partilhar um pouquinho da experiência de cada um/uma. Sou alguém que ama a vida, adora abraços e beijos e por isso ama fazer aniversário. Gratidão a Deus pela oportunidade de ver a luz do dia e o cair da noite e todas as nuances que o dia a dia traz, por me manter no jogo da vida ainda e um pouco mais, quero mais, permita-me Senhor!

Dia a dia

A gente acorda, a gente levanta, a gente dorme, e nesse ínterim nos damos conta que tivemos uma vida intensa, vimos e vivemos muita coisa boa. Vez ou outra vejam as fotografias. É uma viagem.😉

terça-feira, 19 de junho de 2018

Brechas do tempo

Capture as brechas do tempo para as demonstrações de afeto, para a presença, o abraço, o toque, um sorriso, uma conversa afável. Eles te alimentarão o resto do dia, o dia seguinte, a semana, a sua vida inteira.

Sobre a opção de ser mãe

Dizem que há mães que não querem seus filhos, os rejeitam, os abandonam. Sei que há. Há. No fundo no fundo o que elas têm é medo, medo do turbilhão de emoção que esse nome carrega, de sua imensidão. Têm medo de não darem conta, e muitas vezes não dão mesmo, pois muitas  não sabem lidar até mesmo com o que não tiveram, amor; ou com o que tiveram, provações; situações de abandono, violência. É verdade que é possível evitar filhos, a forma mais efetiva sabemos, é não ter relações sexuais com homens. Se isso ocorrer, o risco há,  ainda que tenha todo um aparato de coisas para evitá-los. Sabemos também que nem sempre isto é evitável,   Mulheres vocês sabem. Sabemos também que um filho, (há umas poucas mulheres que os bancam sozinhas), reclamam também um pai, no sentido da palavra. Perdoem-me mas por mais heroína que uma mulher seja, ser mãe é algo difícil, exige abdicação, desprendimento, amor para além de si mesmas; é deixar parte de você  para ser o outro, nem todas tem a força, a fé e coragem necessárias especialmente se estiverem sozinhas.  Portanto mulheres, mães ou não, que se acham auto suficientes,  sejam condescendentes, tenham empatia com as outras mulheres que não são fortes, fervorosas, esclarecidas como você, procurem conversar com as mulheres ainda meninas, orientem-nas, acolham-nas, ensinem-nas a se amarem, a se respeitarem, que sintam orgulho da sua condição de mulher, transmitam-lhe coragem para enfrentar as  situações adversas, não as deixem sozinhas (não fiquemos sozinhas) em que situação for, não condenem, não as julguem (esse papel não cabe a você), mas antes sejamos solidárias.  E homens não falem do que não conhecem. Sejam homens, parceiros, responsáveis, respeitem o sagrado feminino; e se fertilizarem uma mulher, cumpram seu papel de homem e seja um Pai. Talvez assim, um dia nenhuma mulher e homem pratiquem o aborto de um feto,  sim feto, (Filho desde o início ou após e sempre  quando é acolhido no coração), e de crianças nascidas como as que vemos nas ruas e orfanatos abandonadas à própria sorte. Que Deus me perdoe por pensar e  divulgar meu pensamento e talvez chocá-lo(a) por ele.

domingo, 17 de junho de 2018

Sobre amizade, sonho e amor

A música A Lista, do cantor e compositor Oswaldo Montenegro, que aprecio ouvir, recomenda: "Faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há dez anos atrás;quantos você ainda vê todo dia; quantos você já não encontra mais. ..." Me fez refletir o seguinte: Todos os meus grandes amigos estão aqui, ou por aí, não estão perdidos, são conscientes de nossa amizade, não nos encontrarmos mais é consequencia do destino, que faz com que sigamos um caminho que muitas vezes tornam os encontros escassos ou impossibilitados por questões várias. Homens e mulheres somos seres errantes, a caminhar muitas vezes sem rumo, e como flores vamos deixando sementes por onde passamos, sim, quero falar das coisas boas, das sementes que germinaram, que cresceram, que continuam o ciclo da vida, ou seja, espalhamos sementes, que levadas pelo vento, pelos passarinhos e outros animaizinhos da natureza, novas sementes são germinadas e florescem ao longo do tempo. Assim são as amizades, as verdadeiras amizades, as que ficam para sempre; ou seja, não ver um amigo, até mesmo não reencontá-lo mais, é um detalhe, às vezes doloroso devido à saudade que nos trai, mas hoje ao reavivar as lembranças do tempo, vejo que por onde passei a terra foi fértil, e para celebrar a amizade; vez ou outra fazemos festa para motivar o encontro, o abraço, e nesse momento com gratidão vejo que o espaço é insuficiente para comportar todos os que gostaria que estivessem nesse lugar, que meu pensamento o/a encontre onde estiver. Continuando com a música, a segunda estrofe diz: "Faça uma lista dos sonhos que tinha; quantos você desistiu de sonhar, quantos amores jurados pra sempre; quantos você conseguiu preservar".?. Houve um tempo em que não me era permitido sonhar, muitos sabem o que é isso, é uma força invisível, uma barreira imposta aos indivíduos pobres ou com determinados estereótipos e/ou características, cujos códigos sociais visam a os limitar, a condicioná-los a um lugar sem sonhos, a uma condição de vida pré-estabelecida; mas fui/sou/somos ousados, desobedientes e nos atrevemos a sonhar, a acreditar, a realizar, os amigos que me acompanham todos são assim, realizadores, insistentes, persistentes, tem fé, gostam da peleja da vida, que retroalimenta em vida. Momento vaidade: Certa vez recebi (pasmem, de meu patrão) um presentinho e uma frase escrita em um papel, (famosa,porém desconheço a autoria) "Não sabendo que era impossível, Ela foi lá e fez." Chorei. Após vários sonhos realizados, (alguns nem sabia que tinha e aconteceram) tento sonhar com responsabilidade (se é que seja possível). Há uma frase (não consegui comprovar a autoria) que vez ou outra me ocorre que é mais ou menos assim: "Seja responsável por seus sonhos, eles podem se realizar "é algo como um aviso; cuidado para não conseguir algo que não possa suportar/carregar, evite os escessos, o desperdício, a felicidade está nas coisas descomplicadas/simples. Mas sigo sonhando sonhos possíveis e impossíveis também (alguns sem saber, vai que?) Quanto aos amores jurados e preservados (de que tipo de amor falamos? Se toda a forma de amor vale a pena?) De qualquer forma sinto-me uma privilegiada de ter um amor, cujas juras foram feitas há trinta anos e se Deus quiser me acompanhará até o fim dos meus dias. Sigamos.

sábado, 9 de junho de 2018

Madrugada difícil

Madrugada difícil. O cansaço venceu. Bendito seja. Os pensamentos ainda estão embolados. Impressiona-me os dados da violência, uma pessoa assassinada a cada nove minutos no país no último ano 2017. A você não impressiona? Você não se vê ou a um dos seus nesses números? Olha quero te dizer não mas é um risco enorme. A história do país mostra que lamentavelmente sempre foi assim, sempre se matou muito, os Brasileiros e Brasileiras acostumaram-se a isso, a ver o sangue correr, não é a toa que os jornais vendem a notícia, os programas de TV exploram as cenas, as rádios também, e assistimos impassíveis e muitas vezes aplaudimos dizendo: Isso! bandido bom é bandido morto. Será, isso mesmo? São aproximadamente cento e setenta pessoas mortas diariamente, um avião fretado que cai matando dezenas de pessoas todos os dias, é uma tragédia sem tamanho, é a banalização da vida, é a falência do estado, que não consegue, melhor dizendo não gere, não quer gerir adequadamente os recursos da Educação, segurança, saúde e alimentos da sociedade. Elementos básicos prescritos na Carta Magna, a Constituição federal. E não é por incapacidade, é por desinteresse mesmo de seu povo, que não querem saber de política, falar sobre política. Como? se somos seres políticos em nossa essência? Se fazemos isso rotineiramente para sobreviver desde que nascemos? Somos um povo que elegem maus políticos, que se deixam enganar por um afago no ombro, um sorriso com dentes perfeitos, o cabelo escovado, o carro importado, o terno bonito, o relógio e celulars bacanas exibidos, que tem preguiça de pensar, se deixam levar por frases de efeito, por quem fala o que querem ouvir, jargões, soluções rápidas, tipo, exterminar tudo o que não presta, vamos proteger as pessoas de bem.  Quem são pessoas de bem? Que elementos você tem para dizer que Eu, você ou fulano é bom ou ruim? Será que o mau é só quem explicitamente assalta? Lhe agride fisicamente? Ou lhe xinga? O que faz com que isso ocorra? Que capacidade de julgamento temos? Não seria melhor prover tratamento distinto a todos e todas, meios de dignamente cada um, Um e um, uma e uma, um e uma, prover suas necessidades básicas? Não é isto que pessoas humanas fazem? Cuidam uma das outras, especialmente os pobres, os desvalidos, os incapacitados? Atrevo-me que para nosso bem, atentemos para os programas de governo dos candidatos.

domingo, 3 de junho de 2018

Uma história

A filha chega em casa no horário costumeiro após o trabalho, a mãe está distraída, porém ouve o pai dizer: "Boa noite filha, o que foi que houve? Está tudo bem?" Imediatamente o coração da mãe palpita, evita encarar a filha para não ver seu rosto com problema, pois isso lhe dói e precisa se poupar de sofrimento, senta-se devagar e ao lado assiste a conversa entre os três (o irmão também está presente, ainda bem), todos os que mais se importam naquele núcleo estão ali e atentos àquela jovem. Ela está assustada, decepcionada e triste com o que lhe ocorreu; conta-lhes que naquela tarde mudou o local costumeiro onde espera o ônibus após o trabalho, ela e os amigos achavam-se protegidos por estarem em três, no entanto isto não inibiu os assaltantes de roubaram-lhes os pertences, ela a princípio foi poupada porém os assaltantes retornaram e a sensação de uma mão em seu pescoço com uma faca e o olhar de medo dos amigos foram indescritíveis, fizeram-na ficar paralisada e efetuar a entregar do aparelho celular que acabara de comprar. Todos a abraçam e Ela ainda ansiosa por falar diz: - Mãe, os assaltantes estavam bem vestidos, acima de qualquer suspeita, limpos, cheirosos, ainda sinto o cheiro do perfume dele próximo a mim, estranha, inexplicável sensação, incrível o medo que senti em questão de segundos, meus amigos choraram muito e um deles quando viu o assaltante voltando pensou que era porque o aparelho dele um Ifone é difícil desbloquear e os assaltantes não gostam, ele soube inclusive que pessoas foram esfaqueadas por isso. Esse meu amigo está muito arrasado e traumatizado pois como se não bastasse ele sofre de depressão. - E você filha como está? - Depois que entrei no ônibus é que veio a tremedeira e o choro da violência emocional que sofri, porém graças a Deus estou aqui, bem e com Vocês. Braços estendidos, Sorrisos de alívio, mais abraços, choro. A mãe desolada, tomada pela tristeza por não saber, não ter o que fazer para proteger-se e proteger sua família, o pai e o irmão também visivelmente abalados, se sentindo impotentes mediante a violência que todos estão sujeitos. Repentinamente o irmão providência-lhe um chá com ervas que acalmam, o pai abre um chocolate com poderes mágicos, e mais abraços são trocados. Aos poucos a dor é aliviada, as almas ficam mais leves, a filha lamenta pois terá que pagar por um aparelho celular que não chegou a usar. Pai e mãe lembram e relatam assaltos que sofreram, o pai recorda especialmente de um, quando estava com um dinheiro extra que lhe permitia comprar uma aliança nova para sua mãe, e a indignação que ficou, da raiva sentida na hora, momentaneamente a revolta retorna exasperado fala que ainda bem que não tinha uma arma, pois naquela hora não sabe o que faria, momento este que a filha apesar de todo sentimento que sentia falou: - Não pai, um aparelho celular, aliás não há objeto que valha a vida de uma pessoa, nem toda a raiva justifica a morte de alguém, não sabemos as circunstâncias que o levaram a fazer algo assim. Todos se entreolham e agradecem a sua sensibilidade, por lembrar-lhes seus valores. A mãe lembra-se especialmente de um assalto que sofreu há vinte anos, ou seja, concluem que a violência ocorre não é de hoje. Há um verdadeiro colóquio. Surgem críticas à política de segurança praticada há anos no país, e que comprovadamente não funciona, não reduz a violência, fala-se sobre questões sócio-culturais e a ineficiência do Estado, das políticas educacionais e etc. A conversa flui por horas como alguns dias não ocorria, fala-se de sentimentos, como medo, insegurança, de formas de enfrentamento dessas questões, fala-se do amor pelo país, da vontade de apesar de tudo jamais sair do Brasil; a não ser que o porte de armas seja liberado, concluem que este é um bom motivo para procurar um outro lugar. Há uma viagem em vista, planeja-se dar um jeito e ir todos, há um sentimento de unidade, de união, de amor, manifesta-se a vontade de fazer algo muito bom juntos e uma viagem é sempre algo prazeroso, capaz de ocupar a memória com imagens e boas sensações que suplantam outras não tão boas. Isso bora fazê-la acontecer.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Sentimentos negativos

Estou deveras cansada, minha cabeça dói, o motivo de tudo é porque é exaustivo pensar, tentar processar tudo de forma a não enlouquecer, aliás não devia pensar mesmo porque os loucos a despeito de tudo, são alheios ao caos, vivem em seu mundo particular e nesse sentido parecem não sofrer. Atrevo-me a citar trecho de poesia de Carlos Drumond: "Mundo, mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução..." se me chamo Raimunda então? Aí sim, sem solução alguma, pois simplesmente são muitas coisas a resolver. Desde que o mundo é mundo, seu tempo no planeta além de ínfimo, a sua atuação é num espaço muito restrito, basicamente no seu meio familiar e social; a lida é com pessoas, cada uma com sua individualidade, personalidade, ou seja sua contribuição é pequena, não que não seja importante; somente não adianta sofrer por coisas sem sentido, que não se tem controle, ou que não é de sua alçada resolver, ah mas como não se indignar com pessoas que por má fé ou desqualificação alterem a vida de outras pessoas? Ah indignar-se é uma outra questão, aliás em determinadas situações você tem o dever de agir frente a uma situação de injustiça, desinteresse/indiferença de outrem para com o outro,  frente a negócios que visem vantagem financeira sobre o interesse social/humano, e outras tantas situações cotidianas que nos causem aborrecimento, indignação. É a corretora do plano de saúde que no interesse de vender, não esclarece os pormenores ao contratante, e posteriormente  o mesmo se vê as voltas com mensalidades abusivas e sem cobertura para os serviços médicos que necessitava obter;  é a empresa que por ser mal administrada, estar perdendo dinheiro para os acionistas, para agentes internacionais e visar somente o lucro ameaça e demite empregados; é o governo que indiferente às necessidades do povo carente, privilegia grupos e interesses privados para a manutenção de seus representantes no poder; é o político corrupto que só lembra do pobre na hora do voto, é a pessoa que coloca a religião na frente de seus propósitos como se fosse atestado de inidoneidade, de identidade, em detrimento dos princípios éticos e morais que regem as atividades profissionais; é o meliante que aproveitando-se da distração das pessoas, as ameaçam, violentam e as assaltam muitas vezes custando-lhes a vida por um bem material, é a pessoa que reclama da violência e da quantidade de assaltos porém, compra produtos roubados;  e tantas outras situações agressivas cotidianas que nos violentam todos os dias. Embora reconheça que algumas vezes resta-nos somente o sentimento de indignação, de frustração e tristeza devido à sensação de impotência frente à agressão sofrida, que sejamos atuantes no que couber mas jamais omissos e/ou indiferentes.

domingo, 20 de maio de 2018

A morte de alguém

Vez ou outra somos pegos de surpresa com a morte de alguém. Pensamos: "Como assim?" O pensamento demora a processar a informação, a verdade que dói; de hoje em diante tal pessoa não estará acessível a um abraço seu, a um sorriso, a um bate papo, ao aprendizado. E diante do inexplicável entregamos pra Deus. Nessas horas nos damos conta da nossa finitude, um a um todos se vão. Prá onde? Não sei. Quero crer que nos encontraremos de novo, aliás isso alimenta-me, conforta, alivia minha dor ante a passagem de seres queridos desta vida. Um fenômeno ocorre após a notícia da partida, a pessoa vira notícia, de um momento para outro queremos recordar é absorver tudo sobre ela, das coisas que dizia, da forma que se expressava, da sua história, trajetória; imediatamente a saudade se instala e permanecerá em quem era de seu convívio e a pessoa viverá nela, com ela a partir de suas lembranças. Esse é seu legado,  essa é uma certeza.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Velhice chegando

Às vezes olha de soslaio no espelho, uma figura nova está aparecendo, uma senhora distinta, um tanto atrevida se impõe com a força de seus cabelos platinados, da pele com suas marcas curtidas pelo tempo, das muitas experiências que viveu. Olha com curiosidade e respeito, quem é esta que se apresenta sorrateira e decidida a ficar? Não tem jeito qualquer dia menos dia terá que encará-la, e saber para que veio. Tem medo pois o seu olhar é profundo, sabe que irá mergulhar num mar de lembranças e ilusões, do que já foi, e do que há de ser, como um sonho e haverá muitas indagações.  Bem verdade que desde que a viu pela primeira vez, houve uma identificação muito grande; assim como Ela, já não consegue andar muito depressa, tampouco fazer várias coisas ao mesmo tempo, as atividades começam a ser mais pausadas, demoradas, são executadas com mais atenção e cuidado. Não se aborrece por pouca coisa, procura ouvir primeiro, falar pouco, evita pré julgamentos e provocações alheias. Na dúvida fica na sua e sorri. Está dando certo essa estratégia, se a memória falha ou não entendeu ou ouviu direito, não vacila em dizer "repete o que disse por favor?, "onde Eu estava mesmo?" Vez ou outra diz pra si mesma no espelho, "calma..., relaxa..., respira..., não é nenhuma sangria desatada, pode esperar, ou vai...tenta fazer de novo..., você consegue..., não há nada demais em errar....". Olhando bem de pertinho o espelho repara e pensa: "humm...esses olhos, esse jeito..., tantas coisas em comum... Ihh será que somos a mesma pessoa? Que coisa!. Ela é tão insistente e decidida, que o jeito é deixá-la se aproximar. De forma prazenteira, num rompante diz:  - Ei! Senhora! Entre mas vai adentrando devagar, a casa é sua mas não se espalha muito rápido não, de mãos dadas leve-me a apreciar as coisas costumeiras, aos poucos, de forma cadenciada, ritmada, que nos permita saborear o que há de bom, prazeroso, devagar, afinal não queremos tropeçar no caminho, queremos descobrir, colher as coisas deixadas para nós e reespalhá-las, e isso toma muito tempo, temos que viver.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Pressão social

Estaciono meu carro, ele está lá, ando pela calçada ele, eles, ela estão lá, de várias formas e diferentes estaturas, envergaduras, em sua maioria pobres, negros. Alguns carregam os seus poucos pertences, seus cobertores, seu colchão ou um pedaço de papelão, alguns mal dá para ver os olhos opacos, a pele perdeu o viço, os cabelos o brilho, a cor. Quem? Os indigentes, quem estende sua mão tímida, quem a gente evita olhar, mas que não oferecem risco algum. Evitamos (uso esse termo porque tenho certeza que não só a mim incomoda, mas a você também que me lê) porque no fundo nos causa desconforto, porque sabemos que não é justo que não tenham o mínimo de dignidade para viver. Ele, Ela não fez por merecer? Ou fez por merecer? Não creio. Não é uma questão de mérito, é tudo menos isso e tanto Eu como Você sabemos disso, esse é um termo que temos usado para justificar o que é visto como sucesso do que adquirimos/conseguimos alcançar na sociedade catpitalista que vivemos. São diversos fatores sócio, político, econômico e cultural que faz com que pessoas acabem nas ruas, pedintes, indigentes; substantivo terrível esse, ser desprovido de recursos todos, paupérrimo, à margem da sociedade, e que nos envergonha porque sua presença mostra o fracasso social e econômico do país. Algo vai acontecer porque o número é crescente, estão chegando famílias inteiras, alguns se refugiam em condomínios, entre as grades que os separam das calçadas, veem-nos pela janela dos automóveis, dos apartamentos, prisioneiros do próprio medo. Mas não vai ter jeito não, o empobrecimento da população, a continuar como está, chegará a um ponto em que todos terão que sair às ruas e enfrentar a questão; abrir as janelas de oportunidades, de acesso aos chamados privilégios, demonstrar algo um tanto esquecido chamado solidariedade, compaixão. A necessidade fará vencer as barreiras do preconceito, da indiferença. Que bom seria não chegasse a esse ponto, pois ocorre muita dor e sofrimento, porém acaba sendo um prognóstico.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Atrevida

Sou a fruta madura, com a polpa macia, curtida, com sabor pronunciado, marcante, pronta para ser devorada; o pote de doce, tentador, cuja validade ainda está longe de expirar, para ser saboreado aos poucos, devagar e longamente, absorvendo todas as nuances, sabores e perfumes. Sou. Momento bom esse, o da maturidade, a gente como se diz: "se acha".

domingo, 6 de maio de 2018

Luto de amor

Quanto tempo leva o luto de uma separação, da "perda" de um amor, do fim de um casamento? Não sei, porém se foi é porque como se diz, "já deu o que tinha que dar", é perda de tempo ficar imaginando o que poderia ter sido, como seria a vida se ainda estivessem juntos, pois o que você teria para/com aquele amor já viveu, já foi, é passado. Não é culpa sua se não estão juntos ainda hoje, tudo foi vivido intensamente como deveria ter sido e foi bom enquanto durou, pare de ficar se lamentando, se auto infringindo dor e sofrimento infinitamente; chore mas vire a página da história, da sua história. Uma nova precisa ser escrita. Todo dia é um recomeço, um novo despertar, talvez o motivo das frustrações seja porque muitas vezes a gente passa a vida romantizando as situações, moldando uma companhia ideal e o ideal não existe e tampouco é moldavel. Somos levados a crer em padrões, em estruturas perfeitas e nos tornamos infelizes por acharmos que por não atender certos requisitos estamos fora desta situação idealizada e corremos o risco de forçar uma situação, um certo enquadramento das pessoas que amamos a esses conceitos e assim sem perceber começamos a perdê-los, pois deixamos de curti-los no que eles têm de mais encantador que é aquilo que os despertou pela primeira vez, o tempo em que se perdiam juntos, que sorriam juntos, que falavam a mesma linguagem, que eram livres, porém sem se perder de vista, sendo presença sem ser presente. Certo é que não temos controle de nada, nem de nós mesmos, nem do outro, de ninguém, com tudo isso algumas vezes é preciso deixar ir, alguns para não mais voltar. Alguns até voltam por algum motivo, porém o amor, esse só permanece se haver encantamento, admiração, cuidado, vontade de ficar.

Os seres e o mundo

A vida nunca a entendi, morrerei sem entender, sigo vivendo... é bom? É. É boa? É. Meus pensamentos se esvaem ao som dos passarinhos como a me dizer: - Ei! Não se distraia com coisas inúteis que não há explicação, simplesmente aceite e curta a parte que lhe cabe, não adianta querer mudar o mundo, pois simplesmente ele está, segue  com seus fenômenos naturais. Quanto às pessoas, aos seres chamados humanos também não há muito o que fazer, afinal segundo estimativas do momento são mais de (7) sete bilhões de indivíduos, com características únicas, específicas, individuais; impossível não haver conflito mediante tanta diversidade. Entender isso é parte do processo que leva à felicidade, à chamada paz interior, o interessante é que esse fenômeno gera inspiração, agregam pessoas que estão na mesma onda. Vou chamar de natureza esse universo fantástico de seres, de coisas que se movem, que conversam entre si, que ao olhar do alto, em termos globais é gigante mas quando focado na criatura é único, solitário, insignificante, aí sou Eu, você, o pássaro, a pedra;  para sobreviver é preciso interagir, caminhar, olhar para o lado, pro entorno, procurar a nuance das cores, das partes, procurar um amor, um lugar, encontrar um olhar como o seu, como o meu e aí sim, fazer a diferença, pois não será somente um, serão dois, três, uma comunidade. O mundo é um grande ser pulsante, do todo para as partes, das partes para o todo.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Observações de mãe

Hoje sentada na minha frente a observava, a pele perfeita corada,  a forma expressiva de falar, o sorriso largo que faz aparecer a leve covinha no rosto (minha marca), o cabelo naturalmente desarrumado e por isso bonito, o jeito leve, aliás todos naquele ambiente estávamos leves, tudo porque Ela estava/está bem. A conversa correu solta, Eu fazia planos de viagens, de repente a ordem dos lugares que gostaria de conhecer e os que gostaria de fazer com Eles e Ela com seu sorriso maroto dizia: "muito bem mamãe, isso mesmo, aproveite a vida, comece a planejar, faça todos, faça tudo o que a vida lhe permitir". Mais tarde,  Vimos um programa juntos sobre as criações de um famoso confeiteiro, que vive na Sicília (Itália), as tradições e cultura do lugar, com imagens de encher os olhos e dar água na boca, um convite, então Ela me disse,  "vamos juntas na Sicília mamãe?" "Sim, taí uma boa sugestão, vou colocar na programação. Assim seja.

domingo, 29 de abril de 2018

Vida breve

Uma vida é muito pouca pra nós, é tudo muito rápido para tudo que sinto, pro que há pra fazer. A eternidade talvez? Outra vida talvez?

sábado, 28 de abril de 2018

Acompanhantes na sala de espera do centro cirúrgico

O ambiente é limpo, asséptico, clean, poltronas confortáveis, TV ligada o tempo todo para distrair, uma confortável sala de estar, pessoas ali estão, alguns minutos mais observa-se que as máquinas de água e café são visitadas vez ou outra e seus líquidos absorvidos em goles compassados, mãos entrelaçadas, às vezes um abraço, um afago, silencio inicial, então aos poucos os olhos dão sinais de angústia, as mãos se massageiam, ficar sentado já não satisfaz, é necessário levantar, andar de um lado a outro, as respirações são mais profundas, onde está a janela? É preciso tomar um ar. A senhora com ar sofisticado, de maquiagem bem feita e roupa impecável puxa uma conversa inicial com outra enaltecendo os atributos da família bem sucedida profissionalmente, dos médicos e engenheiros formados, dos amigos com cargos importantes, do tempo que morou no exterior; balela quer mesmo é entabular uma conversa,  minutos depois fala de sua solidão, do filho que está lá dentro há horas, extraindo pedras dos rins, queixa-se que ela fala, fala mas que não adianta, que Ele não houve os conselhos, que se alimenta de forma e em horário errado, que deveria prestar atenção pois tem histórico familiar, que deveria se cuidar porque a avó morreu fazendo diálise, e Ela teme pois está vendo que do jeito que vai, Ele terá o mesmo destino, a outra por sua vez confidencia que o marido está há horas também sendo operado, que graças a Deus descobriu precocemente um câncer de próstata e que Ele procurou aquele hospital porque tem equipamento de robótica cujo cirurgião que o opera tentará extrair somente a próstata e assim não comprometerá sua capacidade de ereção, sua maior preocupação, mas que isso para Ela não importa, o que importa é que ele vai ficar curado fazendo companhia a Ela e aos filhos; uma mãe chega sentada à maçã, abraçada a seu filho, uma criança de três anos, canta-lhe uma canção de ninar antes de entregá-lo às mãos dos enfermeiros, seu corpo magro parece que só tem olhos, olhos de angústia, as pessoas evitam até olhar, tomados pela emoção; outra mulher cuja irmã está na emergência entre a vida e a morte, com um sorriso sem graça inicia a conversa com outra falando da sandália em seus pés que é parecida com a sua e em seguida fala da situação da irmã, a angústia é aparente, fala que a mesma é gorda que só, que vive avisando-a para se cuidar e nada e pronto ó, como Ela vai ficar se Ela se for? A pessoa que ouve aproveita a deixa e também fala da angústia de ter sua filha sendo operada no centro cirúrgico, uma jovem, para um problema precoce, mas que também já teve esse problema, assim como suas tias, que pelo jeito é uma tendência familiar. Os homens que ali estão, no seu silêncio parecem mais sensatos, frios, centrados, um não aguenta vai dar uma volta e na volta vez em quando pergunta: nada ainda? E o olhar em negativa informa, ah o olhar esse diz tudo, toda a fragilidade exposta, todo o medo da perda, todos iguais. Aos poucos um e outro médico/médica aparece para conversar, os ouvidos atentos, os pacientes, pacientemente vão saindo, no presenciado, todos vivos, alívio nos olhos antes aflitos, para seu alento e convívio,  isso é o que importa, os detalhes resolve-se depois. Dia seguinte lá estão as acompanhantes tomando café juntas, se abraçando, se agradecendo pelas palavras de conforto, o desconforto passou.

Vida

Cada vez mais tenho certeza que essa nossa passagem por aqui é para nos aprimorar enquanto seres humanos, doce mistério esse que nos trouxe a esse mundo, como seres fantásticos que somos e nos pôs a sonhar; desde que respiramos nessa dimensão pela primeira vez, vivemos um mundo de fantasia, ilusão, aqui experenciamos sensações, emoções várias que vão de extrema dor, perplexidade,  raiva, solidão, medo, angústia e paradoxalmente à extrema alegria, amor, amizade, compaixão. Tudo em uma mesma criatura, um mesmo ser e em todas ao mesmo tempo, tudo feito de uma forma tal para que em situações extremas invoquemos a nossa essência, nosso verdadeiro Eu, despido de toda vaidade, orgulho, egoísmo, de todas as máscaras, ao esvaziamento do corpo e que sejamos somente espírito, que nos leve a reconhecer o que realmente importa, o essencial que é invisível aos olhos, o seu desejo de fato, que é manter a essência do que conhecemos como vida.

Sr. Otávio

Seu Otávio partiu, cruzou o rio, voltou de/para onde veio, um caminho de águas serenas, se preparou, se despediu, partiu. Aqui ficaram filhos, filhos dos filhos,  amigos, saudade. Aqui ficaram também as memórias, a boa fôrma como sua filha bem disse, de como as coisas devem ser, o sonho dos justos, do labor, das virtudes. Sr. Otávio recordou-me meu pai, meu avô e tantos outros que na ordem natural da vida, me antecederam, e demonstraram com sua vida como devo levar a minha, pessoas que não temiam a morte, pois sabiam-na companhia, e por isso zelou por sua vida o quanto pôde, não desperdiçou nenhum momento que não fosse para o serviço aos demais, à fé praticada, à alegria compartilhada e por isso viverão um bom tempo nas pessoas que aqui ficaram. Doce consolo.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Homenagem à Antonio, seu Pai.

Meu pai era um homem humilde, de hábitos simples e como muitos de sua origem pobre, não conheceu os livros e a ele coube os trabalhos de gente da sua origem por exemplo, o Trabalho duro da roça;  atividades  que muitos da cidade não conhecem, como o corte de cana, a colheita de milho, café, algodão. Mãos grossas calejadas. Não me desgrudava dele. Jovem durante um feriado desses, queria estar junto e  como tinha curiosidade em conhecer sua rotina resolvi ir com ele trabalhar na colheita de café, mamãe me preparou para a empreitada com roupas grossas e uma touca de pano que ela fazia com abas compridas para proteger a cabeça e as laterais do rosto. Lembro dos rostos castigados e a dificuldade em subir no caminhão dos paus de arara como eram chamados e a marmita fria. Dos quatro dias que havia me disposto a ir, só aguentei dois, as mãos estouraram em feridas e calos. Várias vezes o vi beirando a exaustão devido aos trabalhos duros, pesados; por essas e outras morreu cedo. Emociono ao lembrar dele,  a falta que me faz, de seu orgulho e esforço sobrehumano em conjunto com mamãe Maria em alimentar seus seis filhos e mantê-los na escola, das mãos grossas que gostava de pegar e que ele evitava com ela nos acarinhar por medo de nos machucar; de tentar ensiná-lo a ler e escrever, da dificuldade e orgulho dele em assinar seu nome, Antônio. Nome forte de uma pessoa íntegra, amiga, trabalhadora, gentil, delicada, generosa. Adiante de seu tempo, à época a meninas não cabiam bem certas coisas, mas ele não só acompanhava meus gostos como apoiava, incentivava, em atividades como futebol feminino, handebol. Cuidou de muitos esfolados e contusões em mim, passou muito gelol, rsrsrs. Me levou a pescarias e em partidas de futebol para apoiar e auxiliar nas atividades de seu time. Papai preocupado com seus filhos criou na cidade um time por três gerações, Dente de leite, Mirim e Junior, com isso ajudou a incutir valores nos filhos e de muitas crianças, recuperou delinquentes, foi um grande homem.  Herdei dele, as virtudes, o gosto pela natureza, a resiliência, a covinha no rosto e o sorriso. Privilegiada eu fui, eu sou.

domingo, 8 de abril de 2018

Uma experiência sugestiva

Vez ou outra é preciso sair de casa, ir ao encontro de pessoas para rir, jogar conversa fora, desopilar a mente; se tiver uma música de fundo, um bom grupo de samba por exemplo, melhor ainda; com uma cerveja gelada para acompanhar, o papo flui descontraído;  estabelece-se laços, projetos são planejados como por exemplo uma viagem partilhada com amigos pela Bielorússia;  por alguns momentos o mundo gira só em torno de coisas que dão prazer, o interessante é que a sensação perdura ainda por alguma horas e ainda que se esteja um pouco altinha atividades corriqueiras como cozinhar por exemplo, tornam-se interessantes pela necessidade de mais que nunca se manter concentrada, coloca-se o óleo com alho na panela e de repente corre atabalhoadamente a colocar o arroz e permanece atenta para não queimar, lembra inesperadamente que apesar do adiantado da hora, quer levar um bolo para o trabalho no dia seguinte, para agradar a uma amiga que faz aniversário. Recita para si própria, bater no liquidicador o óleo, o açúcar, as bananas d'água, e os ovos, um não, três; mistura à parte com a farinha, o fermento, o leite e uma pitada de canela, coloca em forma untada para assar,  por aproximadamente 40 minutos. O corpo malemolente resiste em entregar-se ao doce desejo de dormir pois afinal tem que vigiar o forno para o bolo não queimar, ao longe desejos da ordem dos afetos surge, espera ter disposição para usufruir de todas as boas sensações; dar conta de tudo antes de entregar-se nos doces braços de Morfeu.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

E Eu aqui pensando em Você

E Eu aqui pensando em Você, bem me lembro quando tudo começou... desinteressadamente. Lembro que em um dado momento comecei a prestar-lhe atenção. O sorriso largo, a desenvoltura dos gestos, os braços que parecia davam para abraçar o mundo, de tão afetuosos. Não sei o que mais me encantou, era uma profusão de informações subliminares; talvez a pureza no olhar que refletia o sorriso dos lábios,  ou a voz que emanava o sorriso não sei, não sei se foi a energia vibrante, o gosto pela vida que ainda me encanta, não sei, talvez fosse a forma como via o mundo, uma terra fértil de descobertas, talvez quem sabe sua boca carnuda, levemente vermelha, úmida, mostrando levemente os  dentes a me  devorar. Quem sabe. Só sei que após tantos anos, ainda continuo apaixonada, gosto de na menor possibilidade, lhe dar beijinhos e receber seu hálito quente, gosto de seus dedos longos e firmes a me tocar, do enlace de seus braços, de te afagar, dormir de conchinha, aliás não dormir, fazendo piruetas pra nos agradar, e Você distante e Eu aqui esperando, pensando.

Filhotes criando asas

Ainda me lembro de meus filhos, à época perto de três aninhos ao entrarem na escola, mal olharam para mim, deram as costas, um tiauzinho e entraram sorridentes e Eu em lágrimas. Mães e pais,  vocês que estão vivendo isso, o marco de uma fase de seus filhos ao levarem-no(a) para a escola pela primeira vez, acostumem-se, são as primeiras de muitas idas e vindas, e a cada vez você se surpreenderá com a nova criatura que se apresenta, transformada. Sim, você se sentirá só, abandonada(o) por parecer que seus amigos e  Professores são mais importantes que você, depois será a namorada, o namorado que parece que estão os roubando de você (e estão mesmo, rsrs), e vocês fiquem firmes, confiantes, como um portal a espera, e nessas idas e vindas vocês vão dar o abraço mais precioso, que calará fundo no coração e nesses encontros falarão das coisas mais profundas que tocam a alma e  a cada vez que saírem os farão retornar para um novo encontro para os carregarem de inspiração e afeto para continuarem suas jornadas, sem esquecer o caminho de casa, a casa de seus pais.