"O que os olhos não vêem o coração não sente" e assim muitos e muitas continuam a praticar coisas nem sempre louváveis, algumas até abomináveis, e muitos percebem e fingem que não vêem. Vamos tocando a vida, cuidando do próprio umbigo, preocupamos com a vida dos outros, mas ações reais de orientação e ajuda pouco se faz e no final acredite não está na sua vontade querer que a pessoa faça ou deixe de fazer alguma coisa, e ela fará de uma forma ou de outra se decidir, afinal tudo foi/ é somente por sua conta, não é? As pessoas estão abandonadas à própria sorte, crianças ou não. Se você tem estrutura, apoio e orientação espiritual,valorize e dê se por feliz.
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Que audácia a minha, escrever e disponibilizar algo que pode interessar só a mim, enfim...
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terça-feira, 3 de julho de 2018
Egoismo e abandono
terça-feira, 15 de maio de 2018
Velhice chegando
Às vezes olha de soslaio no espelho, uma figura nova está aparecendo, uma senhora distinta, um tanto atrevida se impõe com a força de seus cabelos platinados, da pele com suas marcas curtidas pelo tempo, das muitas experiências que viveu. Olha com curiosidade e respeito, quem é esta que se apresenta sorrateira e decidida a ficar? Não tem jeito qualquer dia menos dia terá que encará-la, e saber para que veio. Tem medo pois o seu olhar é profundo, sabe que irá mergulhar num mar de lembranças e ilusões, do que já foi, e do que há de ser, como um sonho e haverá muitas indagações. Bem verdade que desde que a viu pela primeira vez, houve uma identificação muito grande; assim como Ela, já não consegue andar muito depressa, tampouco fazer várias coisas ao mesmo tempo, as atividades começam a ser mais pausadas, demoradas, são executadas com mais atenção e cuidado. Não se aborrece por pouca coisa, procura ouvir primeiro, falar pouco, evita pré julgamentos e provocações alheias. Na dúvida fica na sua e sorri. Está dando certo essa estratégia, se a memória falha ou não entendeu ou ouviu direito, não vacila em dizer "repete o que disse por favor?, "onde Eu estava mesmo?" Vez ou outra diz pra si mesma no espelho, "calma..., relaxa..., respira..., não é nenhuma sangria desatada, pode esperar, ou vai...tenta fazer de novo..., você consegue..., não há nada demais em errar....". Olhando bem de pertinho o espelho repara e pensa: "humm...esses olhos, esse jeito..., tantas coisas em comum... Ihh será que somos a mesma pessoa? Que coisa!. Ela é tão insistente e decidida, que o jeito é deixá-la se aproximar. De forma prazenteira, num rompante diz: - Ei! Senhora! Entre mas vai adentrando devagar, a casa é sua mas não se espalha muito rápido não, de mãos dadas leve-me a apreciar as coisas costumeiras, aos poucos, de forma cadenciada, ritmada, que nos permita saborear o que há de bom, prazeroso, devagar, afinal não queremos tropeçar no caminho, queremos descobrir, colher as coisas deixadas para nós e reespalhá-las, e isso toma muito tempo, temos que viver.
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Pressão social
Estaciono meu carro, ele está lá, ando pela calçada ele, eles, ela estão lá, de várias formas e diferentes estaturas, envergaduras, em sua maioria pobres, negros. Alguns carregam os seus poucos pertences, seus cobertores, seu colchão ou um pedaço de papelão, alguns mal dá para ver os olhos opacos, a pele perdeu o viço, os cabelos o brilho, a cor. Quem? Os indigentes, quem estende sua mão tímida, quem a gente evita olhar, mas que não oferecem risco algum. Evitamos (uso esse termo porque tenho certeza que não só a mim incomoda, mas a você também que me lê) porque no fundo nos causa desconforto, porque sabemos que não é justo que não tenham o mínimo de dignidade para viver. Ele, Ela não fez por merecer? Ou fez por merecer? Não creio. Não é uma questão de mérito, é tudo menos isso e tanto Eu como Você sabemos disso, esse é um termo que temos usado para justificar o que é visto como sucesso do que adquirimos/conseguimos alcançar na sociedade catpitalista que vivemos. São diversos fatores sócio, político, econômico e cultural que faz com que pessoas acabem nas ruas, pedintes, indigentes; substantivo terrível esse, ser desprovido de recursos todos, paupérrimo, à margem da sociedade, e que nos envergonha porque sua presença mostra o fracasso social e econômico do país. Algo vai acontecer porque o número é crescente, estão chegando famílias inteiras, alguns se refugiam em condomínios, entre as grades que os separam das calçadas, veem-nos pela janela dos automóveis, dos apartamentos, prisioneiros do próprio medo. Mas não vai ter jeito não, o empobrecimento da população, a continuar como está, chegará a um ponto em que todos terão que sair às ruas e enfrentar a questão; abrir as janelas de oportunidades, de acesso aos chamados privilégios, demonstrar algo um tanto esquecido chamado solidariedade, compaixão. A necessidade fará vencer as barreiras do preconceito, da indiferença. Que bom seria não chegasse a esse ponto, pois ocorre muita dor e sofrimento, porém acaba sendo um prognóstico.
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Madrugada
Do nada, eis que os olhos se abrem, o pensamento se ativa, o corpo se levanta. Ao lado um ressonar tranquilo, ao longe um galo canta, um cachorro late, anunciando que também estão acordados. Sons de veículo na estrada, o relógio marca 4h na madrugada, a cidade dorme, dorme? Não, é um semi acordar, os pensamentos vagueiam, não se fixam em lugar algum, não, não está tranquilo, não está normal.
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Cadê as Crianças?
De repente Ela se vê de volta ao início de sua vida adulta, já havia encontrado o amor e filhos eram um projeto, um desejo. Eles vieram; aliás, um e uma e encheram sua vida de cor, de alegria. Ela sempre teve problemas com o tempo é verdade, sempre pareceu tão curto, tão insuficiente para todas as coisas que gostaria de fazer/de ter feito... Agora por exemplo, onde estão suas crianças? Em que lugar do caminho Elas se foram? Para que afinal queremos ser mães? Ah aquele cheirinho gostoso sem toxinas do bebê, aquele olhar puro e brilhante a chamar de seu, a covinha disfarçada que Ela herdou de Você, o jeito todo seu Dele, a risada que te faz esquecer do mundo, o doce encontro no seu peito, os primeiros passos, o contato com a areia, o ensinar a andar de bicicleta, o controle do próprio medo para que não tenham medo, o "mamãe posso te falar uma coisa" e em resposta "até duas", o olhar cúmplice depois. Ah tempo, tempo, lágrimas me vem aos olhos, é um clichê, mas como passou rápido! Dever cumprido? Parece que sim. Hoje dizem, "Bom dia mamãe? O que vai fazer hoje? Como foi seu dia? Tá tudo bem? Boa noite, Tô indo pra facul, tava na facul, tava com meus amigos ué, talvez Eu durma por lá, tá mãe, eu sei mãe, tentarei não voltar tarde, tô indo pra praia, vou visitar meus sogros, tô indo pra casa da minha namorada, volto só segunda, vou passar o final de semana com meu namorado"; "precisa dormir lá? - Melhor né mãe? - Você não diz que é melhor assim que é perigoso estar na rua tarde da noite?, Vai com Deus! Jesus te acompanhe, Deus lhe abençoe. Hei dá aqui um abraço, deixe-me te dar um beijo, tô com saudade, ah mamãe você adora fazer drama!" E assim lá se foram as crianças, meu olhar brilha ao vê-los "caminhando com as próprias pernas", mas sou um pouco egoista (coisa de mãe), e o pensamento não desliga deles. Ainda bem pois assim o vazio não é completo e no espaço que ficou, uns escritos de vez em quando, a retomada de coisas que costumava fazer, costurar, ler, cuidar de plantas, assistir filmes por exemplo, voltar aos tempos de namoro, aliás esse é outro tema, um sujeito ocupado, sempre a viajar. Em ambos os afetos, a cada vez que estamos juntos é uma preciosidade, dá vontade de parar o tempo. Quanto a ser mãe, a verdade é que uma vez mãe, para sempre mãe. A minha que o diga! O importante é que sei que Ela está lá e vive em mim, e Eu Neles onde, quando e onde estiverem, ainda que metafisicamente.
domingo, 23 de julho de 2017
Cidades pequenas
Coisa boa são cidades onde as pessoas, segundo uma amiga disse, não vivem emboladas, não há lixo espalhado, há sinais de um certo zelo das pessoas com suas coisas, há menos coisas descartáveis, há mais flores, os terrenos não tem muros, as casas não tem grades nas portas e janelas e tampouco nas praças, nelas os gramados e bancos são um convite pra sentar, bem como os armazéns, as biroscas. Até mesmo na periferia percebe-se nos mais humildes um quê de dignidade. A vida parece correr devagar, com menos gastos com futilidades e poucos aborrecimentos. Os sonhos das pessoas se resumem a ter uma boa comida, bebida, um estudo suficiente, algum dinheiro e uma festa de vez em quando pra se enfeitar, e qualquer motivo é um espaço pra prosear. Em lugares assim parece que o céu é mais azul, os pássaros são vistos e se escuta seu canto; com certeza a respiração é mais leve e as pessoas se olham nos olhos, prestando atenção umas nas outras, o bom dia é espontâneo e o sorriso também. Coisas como aparelho celular, notebook, etc. ainda são novidades e parecem não fazer falta; aliás ainda é visto como falta de educação quem tem, usá-los quando estão com outras pessoas. Lugares assim fazem a gente ponderar sobre estilo de vida, sobre valores, sobre limites, que a busca desenfreada pelo ter sempre mais, faz o ser ficar esquecido e isso traz infelicidade. Reflete-se que para viver basta ter o necessário e como já dizia uma musiquinha de um desenho infantil, o extraordinário é demais.
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Olhe-se no espelho
Não importam as circunstâncias que você nasceu, se chegou até aqui, é um milagre. Viva! Será que só Eu enxergo a grande criatura que habita em ti? Vejo o brilho nos seus olhos apesar da aura triste, das olheiras, do cansaço. Não seja tão dura consigo, a perfeição é justamente a imperfeição, antes seja você mesmo com suas marcas, suas características, suas só suas, que te fazem um ser único. É quase inevitável seguir modismos, tendências, querer copiar alguém de "destaque", mas creia, quanto mais autêntica for a pessoa, mais original Ela é e por isso mais interessante. Você já se olhou no espelho hoje? Olhe-se, e não fique olhando detalhes sem importância, tente enxergar o brilho em seus olhos, esse que te falo. Ele está lá, dê-se um sorriso, um abraço e diga à pessoa do espelho: Te amo, que bom que existe, está aqui. Bora dizer isso a alguém?!
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Descompasso
Aos poucos não se sabe quando, tudo começou a mudar. Os olhos raramente se cruzam, (algumas vezes há até alguma frieza no olhar), o riso ficou escasso (pelo menos um para o outro), os abraços são raros, as conversas são pontuais e não com alguma impaciência. Há um certo descompasso. Ele quer espaço, têm dificuldade de administrar a atenção que sua família requer e sua atividade profissional exige, tudo se mistura. Vive como se o dia fosse o último, a mente está cheia de compromissos, o tempo é pouco para tantas coisas, tem que dar conta de tudo e de todos e se manter conectado é preciso. Todos o querem e o procuram; é bom se sentir importante, ser notícia, massageia o ego. Ela observa, está ao lado ainda que distante, pois nunca quis ser "uma pedra no meio do caminho de alguém", insatisfeita, com uma certa infantilidade espera pelo "principe" que Ele foi um dia, onde "perdiam tempo" um com o outro, com carinho e longas conversas, vê tudo com uma certa reserva/distanciamento, com ciúmes das coisas que o afastam dela. Fica na retaguarda preservando o sentimento que ainda resta, que os une. O corpo está ávido por carinho e expressões de afeto, não quer o tempo que lhe resta, o fim do dia, quando a noite chega e o corpo está cansado inclusive para a expressão do desejo.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Amor aos olhos de uma criança
ELe tinha uns 8 anos e perguntou-me quem Eu amava e de forma direta e simples para que entendesse fui pontuando: Eu amo você, sua irmã, seu Pai, sua avó, minha mãe, meus irmãos, ... . Curiosa retruquei e você quem você ama? Pois Eu mãe, amo todas as coisas desse mundo, aquelas que conheço e não conheço também. Nesse dia me senti envergonhada e pequena; recebi uma lição que serve para mim até os dias de hoje e vez ou outra rememorizo para não esquecer e amar sem seleção e tentar olhar o mundo com os olhos de uma criança.
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