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terça-feira, 3 de julho de 2018

Sorriso, minha arma

O sorriso é minha arma, com ele supero a dor da saudade, das partes de mim espalhadas. Sigo com um sorriso na cara e com o coração enorme de carinho contido, guardado. Ah aguarde-me. Quando chegar, haverá uma profusão de alegria, quero todo o amor extravasado, sem moderação.

sábado, 28 de abril de 2018

Sr. Otávio

Seu Otávio partiu, cruzou o rio, voltou de/para onde veio, um caminho de águas serenas, se preparou, se despediu, partiu. Aqui ficaram filhos, filhos dos filhos,  amigos, saudade. Aqui ficaram também as memórias, a boa fôrma como sua filha bem disse, de como as coisas devem ser, o sonho dos justos, do labor, das virtudes. Sr. Otávio recordou-me meu pai, meu avô e tantos outros que na ordem natural da vida, me antecederam, e demonstraram com sua vida como devo levar a minha, pessoas que não temiam a morte, pois sabiam-na companhia, e por isso zelou por sua vida o quanto pôde, não desperdiçou nenhum momento que não fosse para o serviço aos demais, à fé praticada, à alegria compartilhada e por isso viverão um bom tempo nas pessoas que aqui ficaram. Doce consolo.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Visita

Tenho em meu jardim, um certo passarinho que estava a deixar saudade.  Há meses tentava dentre outros, identificar seu canto, e Eu dizia "o que há de errado? Será que foi embora, para outras paragens? " E ouvia, " calma não é seu tempo, é o tempo dele", (aliás essa frase se aplica a mim, de vez quando, mas essa não é a questão do momento) e eis que ouvi seu canto,  do passarinho trovador, temos uma conexão Eu e Ele, Ele e Eu. Me falou das coisas que observou, das suas visões do alto, sobre as coisas do mundo, e falou, falou, como falou, um tagarela Ele, me atualizando sobre tudo, e Eu escutando, sua perfeita melodia, admirada com sua performance, passarinho de peito de aço. Em um dado momento, ali naquela perfeita sintonia, veio-me a presença de meu Pai, Ele que em sua simplicidade imitava assoviando, com perfeição o som dos pássaros para nós crianças. Estou emocionada ainda, pois podem achar que é loucura, mas senti sua presença, meu querido Pai me visitou naquele passarinho.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Memória de criança

Saudade da minha infância agora, lá no interior de Minas Gerais, uma vida rica, agora sei. Cozinhava-se no fogão a lenha, mamãe Maria até mesmo numa trempe de serragem; a meninada em volta, ajudando, aprendendo. A galinha caipira criada à vontade no quintal, o porquinho era cevado com cuidado pelo meu querido pai, me contaram que quando bebê havia até uma cabra para me dar leite, pois Eu era alérgica ao leite de vaca, um luxo. Aliás, a gente acompanhava o leite sendo retirado da vaca, puro, consistente, onde era transformado no requeijão, manteiga, queijo, em doce de leite, hummm.Mais tarde morando em um vilarejo, a quantidade de leite, eram entregues cedinho em vasilhames próprios; vez ou outro alguém matava uma vaca, na roça era uma festa a confecção das linguiças, do chouriço, o corte das carnes, do Toucinho. Ah o torresmo, delícia, sequinho e crocante. O milho, a mandioca, legumes, frutas e verduras colhidos para consumo a seu tempo; no meio de muito trabalho, fazia-se muita coisa gostosa manualmente, desenvolvia-se habilidades, em meio a muitas risadas, conversas e aprendizagem. Ah saudade, da minha avozinha querida, em sua casa sempre havia potes com quitandas, que Ela guardava como uma caixa de tesouro para a alegria dos netos, o sabor do biscoito de polvilho, das broas, dos bolos, aindha me dão água na boca. E havia ainda os pastéis, o macarrão, todos feitos em casa, com massa caseira. A carne secando ao sol, defumando sobre o fogão, armazenadas na própria gordura. Ah sinto o cheiro do café, moído na hora, filtrado no pano, o sanbor do pão de queijo quentinho. Gente, muitos não sabem do que falo, mas os de minha geração, de minha origem, se recordarão, sabem de como era bom. Do quão ricos éramos e somos por carregar essas recordações conosco, e daí essa procura, busca, empenho em levar um pouco disso ainda nos dias de hoje.