Que audácia a minha, escrever e disponibilizar algo que pode interessar só a mim, enfim...
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domingo, 20 de maio de 2018
A morte de alguém
Vez ou outra somos pegos de surpresa com a morte de alguém. Pensamos: "Como assim?" O pensamento demora a processar a informação, a verdade que dói; de hoje em diante tal pessoa não estará acessível a um abraço seu, a um sorriso, a um bate papo, ao aprendizado. E diante do inexplicável entregamos pra Deus. Nessas horas nos damos conta da nossa finitude, um a um todos se vão. Prá onde? Não sei. Quero crer que nos encontraremos de novo, aliás isso alimenta-me, conforta, alivia minha dor ante a passagem de seres queridos desta vida. Um fenômeno ocorre após a notícia da partida, a pessoa vira notícia, de um momento para outro queremos recordar é absorver tudo sobre ela, das coisas que dizia, da forma que se expressava, da sua história, trajetória; imediatamente a saudade se instala e permanecerá em quem era de seu convívio e a pessoa viverá nela, com ela a partir de suas lembranças. Esse é seu legado, essa é uma certeza.
quarta-feira, 9 de maio de 2018
Pressão social
Estaciono meu carro, ele está lá, ando pela calçada ele, eles, ela estão lá, de várias formas e diferentes estaturas, envergaduras, em sua maioria pobres, negros. Alguns carregam os seus poucos pertences, seus cobertores, seu colchão ou um pedaço de papelão, alguns mal dá para ver os olhos opacos, a pele perdeu o viço, os cabelos o brilho, a cor. Quem? Os indigentes, quem estende sua mão tímida, quem a gente evita olhar, mas que não oferecem risco algum. Evitamos (uso esse termo porque tenho certeza que não só a mim incomoda, mas a você também que me lê) porque no fundo nos causa desconforto, porque sabemos que não é justo que não tenham o mínimo de dignidade para viver. Ele, Ela não fez por merecer? Ou fez por merecer? Não creio. Não é uma questão de mérito, é tudo menos isso e tanto Eu como Você sabemos disso, esse é um termo que temos usado para justificar o que é visto como sucesso do que adquirimos/conseguimos alcançar na sociedade catpitalista que vivemos. São diversos fatores sócio, político, econômico e cultural que faz com que pessoas acabem nas ruas, pedintes, indigentes; substantivo terrível esse, ser desprovido de recursos todos, paupérrimo, à margem da sociedade, e que nos envergonha porque sua presença mostra o fracasso social e econômico do país. Algo vai acontecer porque o número é crescente, estão chegando famílias inteiras, alguns se refugiam em condomínios, entre as grades que os separam das calçadas, veem-nos pela janela dos automóveis, dos apartamentos, prisioneiros do próprio medo. Mas não vai ter jeito não, o empobrecimento da população, a continuar como está, chegará a um ponto em que todos terão que sair às ruas e enfrentar a questão; abrir as janelas de oportunidades, de acesso aos chamados privilégios, demonstrar algo um tanto esquecido chamado solidariedade, compaixão. A necessidade fará vencer as barreiras do preconceito, da indiferença. Que bom seria não chegasse a esse ponto, pois ocorre muita dor e sofrimento, porém acaba sendo um prognóstico.
domingo, 10 de dezembro de 2017
Confiança
Existem frases/palavras que quando ditas dizem muito da pessoa, as condicionam, as imobilizam, não lhes permitindo serem quem são. Permita-me tentar ser um pouco mais clara: Uma pessoa em certa ocasião me contou que desenvolveu um projeto para participar em um concurso, porém para implantá-lo era necessário a participação de seu amigo, devido às habilidades deste, pois juntos sem dúvida formariam uma bela dupla. Este ao ser convidado disse: "Não posso, lá só tem gente boa, feras". Ele retrucou: "Você está dizendo que é ruim? Se estou te convidando é porque te acho bom para o projeto... vamos lá! Podemos até não ganhar, mas podemos fazer acontecer." Demonstrou, explicou os pormenores do projeto, ou seja, não faltaram argumentos para elevar a autoestima do amigo. Diante da negativa acabou que desistiu daquele projeto, pois como disse não havia como fazer sozinho. Mais tarde, o amigo lamentou o fato de não ter acreditado em si, de ter desistido sem tentar, porque dentre o resultado dos que participaram, o deles tinha chances reais de dar certo. Tarde demais o momento havia passado. Então quando um amigo diz que você é bom, não duvide.
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sábado, 2 de dezembro de 2017
Cena cotidiana
O Natal se aproxima, vamos ficando mais sensíveis (Sério?), bem digamos que sim. Um mendigo chamava a atenção de transeuntes na rua, deitado na calçada de vez em quando se mexia de um lado pro outro, corpulento, a sujeira impressionava. Ao mesmo tempo que pensava, ouvia: "Esse aí pra limpar só com lava jato". Será que não tem família? pensei alto e uma pessoa responde: "Dona, quando chega nesse estágio, a família não tá nem aí, é capaz de passar perto e fingir que não conhece." Penso: "Será isso possível? Não, mesmo distante alguém pode estar com o coração aflito, pensando onde estará meu filho? Meu pai? Meu marido? Meu irmão?" Continuo instigando e a pessoa diz: "Dona, esse não tem mais jeito, chegou no fim, não tem recuperação, não há o que fazer." De novo penso: "Será?" Outro fala: "Antigamente, havia uma atividade das Prefeituras onde funcionários passavam pelas ruas recolhendo essas pessoas e levavam para um abrigo para cuidar, havia alguma assistência, a gente não via gente assim não". Verdade? Que aconteceu? "É a roubalheira Dona, o dinheiro vale mais que tudo, gente é investimento, gasto, dá trabalho e as pessoas andam intolerantes, sem tempo. A Senhora não vê? As pessoas preferem cuidar de um animal do que de gente?! " (Não desmerecendo os animais, veja o contexto da situação); outra pessoa do meu lado diz: " Pelos traços dele, deve ser um migrante, essas pessoas que vêm para as grandes cidades para trabalhar, chega não encontra nada, se vê sozinho, sem dinheiro e acaba na sarjeta sem condições de voltar." ... "pois é, o que não seria dar abrigo, banho, uma cama limpa pra dormir, sopa quente, o cuidado das feridas, dos pés rachados..." outro diz: "Ãh vai saber o que o levou a ficar assim.? " (Lembrei de uma mãe e sua angústia; com uma sacola de roupas, comida e outras coisas, procurava pelo filho no centro do Rio. Eu estava lanchando em uma praça e Ela sentada a meu lado me disse que vez ou outra procurava pelo filho por ali e sofria por não conseguir compreender o porque dele ter optado em viver nas ruas, sabendo que tem família, uma casa limpa e quentinha). Conjecturas. A cena é peculiar porque se dá em uma avenida com lojas variadas, há um fluxo grande de pessoas e as que observam a cena e conversam entre si estão paradas no ponto de ônibus. Ao lado do homem caído há ambulantes com suas mesinhas, o vendedor de chocolates garoto, o carrinho de churros, na calçada há também, duas mulheres vendedoras que disputam a atenção, andam de um lado a outro; enfeitadas e no saltinho conseguem manter uma bolsa pendurada com apetrechos diversos no ombro e uma vasilha plástica em um braço, e demonstram o que o incrível cortador de legumes faz, cortando couve fininha, a cenoura, a beterraba e o que mais se queira cortar no preparo de refeição.Vez ou outra alguém para, olha e compra o produto. Resisti. Em um dado momento o mendigo se levanta, pega um toco de cigarro no chão, revolve a lixeira, atravessa a pista do nada, caminha entre os carros e não é atropelado. Um velhinho com dificuldade, de muletas salta de um ônibus; que degrau alto meu Deus, fico aflita, um jovem aparece para ajudar. O velhinho também, devagar e com suas muletas caminha e de repente atravessa a pista e pasmem não é atropelado. Penso: é, a proteção divina proteje os mendigos, os desvalidos. Ainda agora penso, o que nos impede de dar acolhida, proteção a alguém? Nesse contexto, a impressão que fiquei é que as pessoas observam sim, algumas até se incomodam e gostariam de ajudar, fazer algo; mas tratam mais é de cuidar de si, cada um cuidando de sua sobrevivência e de sua família pois do contrário, quem haverá de cuidar? Quiça voltemonos uns para os outros, a se ajudar, se apoiar, pois juntos somos fortes. Não queira ser uma ovelha desgarrada pois ficará abandonada à própria sorte.
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Standby
Os pensamentos vagueiam, inconstantes, não se fixam em lugar algum, em ninguém, nenhum propósito, nenhum destino. A pessoa que os carregam, encontra-se assim, em "standby", em compasso de espera, recuperando-se, reunindo forças para continuar, está um pouco cansada das frustrações, de ser a protagonista de tudo. No momento quer ficar quieta, curtindo a paisagem, assistindo o desenrolar dos acontecimentos sem Ela. Olhos curiosos a observam, quanto tempo haverá de ficar assim? Ela ignora, faz o básico. O corpo extravasa os excessos na forma de dor. Ah como é bom ficar quieta, só consigo mesma. Humm será que o corpo dói justamente por estar quieto, parado? A planta no vaso também lhe observa, apontando-lhe que também precisa de cuidado, as raízes estão expostas, precisando de substrato, de mudar de lugar. Há um certo arquivo de papéis precisando ser organizado (aliás dois). É preciso encerrar aquele projeto; há um outro para começar. Amanhã, amanhã talvez.
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