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domingo, 17 de junho de 2018

Sobre amizade, sonho e amor

A música A Lista, do cantor e compositor Oswaldo Montenegro, que aprecio ouvir, recomenda: "Faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há dez anos atrás;quantos você ainda vê todo dia; quantos você já não encontra mais. ..." Me fez refletir o seguinte: Todos os meus grandes amigos estão aqui, ou por aí, não estão perdidos, são conscientes de nossa amizade, não nos encontrarmos mais é consequencia do destino, que faz com que sigamos um caminho que muitas vezes tornam os encontros escassos ou impossibilitados por questões várias. Homens e mulheres somos seres errantes, a caminhar muitas vezes sem rumo, e como flores vamos deixando sementes por onde passamos, sim, quero falar das coisas boas, das sementes que germinaram, que cresceram, que continuam o ciclo da vida, ou seja, espalhamos sementes, que levadas pelo vento, pelos passarinhos e outros animaizinhos da natureza, novas sementes são germinadas e florescem ao longo do tempo. Assim são as amizades, as verdadeiras amizades, as que ficam para sempre; ou seja, não ver um amigo, até mesmo não reencontá-lo mais, é um detalhe, às vezes doloroso devido à saudade que nos trai, mas hoje ao reavivar as lembranças do tempo, vejo que por onde passei a terra foi fértil, e para celebrar a amizade; vez ou outra fazemos festa para motivar o encontro, o abraço, e nesse momento com gratidão vejo que o espaço é insuficiente para comportar todos os que gostaria que estivessem nesse lugar, que meu pensamento o/a encontre onde estiver. Continuando com a música, a segunda estrofe diz: "Faça uma lista dos sonhos que tinha; quantos você desistiu de sonhar, quantos amores jurados pra sempre; quantos você conseguiu preservar".?. Houve um tempo em que não me era permitido sonhar, muitos sabem o que é isso, é uma força invisível, uma barreira imposta aos indivíduos pobres ou com determinados estereótipos e/ou características, cujos códigos sociais visam a os limitar, a condicioná-los a um lugar sem sonhos, a uma condição de vida pré-estabelecida; mas fui/sou/somos ousados, desobedientes e nos atrevemos a sonhar, a acreditar, a realizar, os amigos que me acompanham todos são assim, realizadores, insistentes, persistentes, tem fé, gostam da peleja da vida, que retroalimenta em vida. Momento vaidade: Certa vez recebi (pasmem, de meu patrão) um presentinho e uma frase escrita em um papel, (famosa,porém desconheço a autoria) "Não sabendo que era impossível, Ela foi lá e fez." Chorei. Após vários sonhos realizados, (alguns nem sabia que tinha e aconteceram) tento sonhar com responsabilidade (se é que seja possível). Há uma frase (não consegui comprovar a autoria) que vez ou outra me ocorre que é mais ou menos assim: "Seja responsável por seus sonhos, eles podem se realizar "é algo como um aviso; cuidado para não conseguir algo que não possa suportar/carregar, evite os escessos, o desperdício, a felicidade está nas coisas descomplicadas/simples. Mas sigo sonhando sonhos possíveis e impossíveis também (alguns sem saber, vai que?) Quanto aos amores jurados e preservados (de que tipo de amor falamos? Se toda a forma de amor vale a pena?) De qualquer forma sinto-me uma privilegiada de ter um amor, cujas juras foram feitas há trinta anos e se Deus quiser me acompanhará até o fim dos meus dias. Sigamos.

sábado, 28 de abril de 2018

Vida

Cada vez mais tenho certeza que essa nossa passagem por aqui é para nos aprimorar enquanto seres humanos, doce mistério esse que nos trouxe a esse mundo, como seres fantásticos que somos e nos pôs a sonhar; desde que respiramos nessa dimensão pela primeira vez, vivemos um mundo de fantasia, ilusão, aqui experenciamos sensações, emoções várias que vão de extrema dor, perplexidade,  raiva, solidão, medo, angústia e paradoxalmente à extrema alegria, amor, amizade, compaixão. Tudo em uma mesma criatura, um mesmo ser e em todas ao mesmo tempo, tudo feito de uma forma tal para que em situações extremas invoquemos a nossa essência, nosso verdadeiro Eu, despido de toda vaidade, orgulho, egoísmo, de todas as máscaras, ao esvaziamento do corpo e que sejamos somente espírito, que nos leve a reconhecer o que realmente importa, o essencial que é invisível aos olhos, o seu desejo de fato, que é manter a essência do que conhecemos como vida.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Descompasso

Aos poucos não se sabe quando, tudo começou a mudar. Os olhos raramente se cruzam, (algumas vezes há até alguma frieza no olhar),  o riso ficou escasso (pelo menos um para o outro), os abraços são raros, as conversas são pontuais e não com alguma impaciência. Há um certo descompasso. Ele quer espaço, têm dificuldade de administrar a atenção que sua família requer e sua atividade profissional exige, tudo se mistura. Vive como se o dia fosse o último, a mente está cheia de compromissos, o tempo é pouco para tantas coisas, tem que dar conta de tudo e de todos e se manter conectado é preciso. Todos o querem e o procuram; é bom se sentir importante, ser notícia, massageia o ego. Ela observa, está ao lado ainda que distante, pois nunca quis ser "uma pedra no meio do caminho de alguém", insatisfeita, com uma certa infantilidade espera pelo "principe" que Ele foi um dia, onde "perdiam tempo" um com o outro, com carinho e longas conversas, vê tudo com uma certa reserva/distanciamento, com ciúmes das coisas que o afastam dela. Fica na retaguarda preservando o sentimento que ainda resta, que os une. O corpo está ávido por carinho e expressões de afeto, não quer o tempo que lhe resta, o fim do dia, quando a noite chega e o corpo está cansado inclusive para a expressão do desejo.