Que audácia a minha, escrever e disponibilizar algo que pode interessar só a mim, enfim...
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quinta-feira, 5 de julho de 2018
Causo moderno
A história se passa em uma marmoraria, o ambiente é descontraído, muitos homens, machões, com fama de pegadores, sabem como é, não podem ver mulher... Joãozinho é um fanfarrão, diz que não gosta da mulher que mora com Ele, que tá com Ela só porque o filho é especial e Ela é totalmente dependente dele, mas segundo ele, mesmo assim se pegam de vez em quando. O Zé ficou viúvo duas vezes, não teve sorte segundo Ele, mas é namorador, adora uma novinha, uma conquista. Zé vez ou outra está com o celular na mão, só no ZAP ZAP, outro amigo curioso provoca: e aí Zé, só zapeando, qual a novidade da vez? Zé não quer mostrar, e na brincadeira/provocação, o amigo toma-lhe o celular, vê coraçõezinhos, beijinhos, palavras sedutoras, apaixonadas, e continua a provocação. Ãh agora quero ver quem é, humm até que é bonitinha, você não é mole não. Olha aí pessoal, maior gata. Outro colega vê a foto, e com ar de espanto diz: Conheço essa aí, é a mulher do Joãozinho! Gargalhadas, gozação geral com a cara dele, chamam-no de corno, chifrudo e outros termos pejorativos. O clima esquenta, Joãozinho parte pra cima do Zé, bate, xinga, a turma tenta apartar. A chefe, ouvindo e vendo a confusão, bota ordem no pedaço, Ela que sabe a história de todos chama o Zé num canto e conversa com Ele: Zé você também hein? Tinha hque pegar a mulher do cara que trabalha com você? e outr, você pelo menos usou proteção? Não, né? Ela sabe que você tem AIDS? Que você já perdeu duas esposas devido a essa doença? Falar e nada é a mesma coisa, Ele não tá nem aí. Joãozinho por sua vez, chegou em casa e desceu o cacete na mulher, e esta disse que quis sacaneá-lo mesmo, dar-lhe o troco, para ele deixar de ser galinha. Zé no dia seguinte vai armado pro trabalho, para matar o João. Confusão, polícia e demissão de ambos. Tempos depois a patroa em uma festa, conversa com outra mulher e esta está feliz porque a filha que tem dois filhos e é sozinha finalmente encontrou uma pessoa de bem, um cara boa pinta, simpático, o José seu ex funcionário. A patroa explica que Ele já não trabalha com Ela e pergunta se a filha sabe que ele tem AIDS, desespero da outra, acabou a festa pra Ela. A patroa ainda quer ter oportunidade de reencontrar o João e contar pra Ele sobre a possibilidade de Ele e/ou a mulher terem pego AIDS para que ambos procurem um médico para investigar e se tratarem. Enfim, esse Zé vou te contar, não é mole não, é um conquistador mesmo, um Zé mané, e pensar que como Ele e o João há muitos por aí. É fulano que come sicrana, que dá praqueleoutro, um pega pega geral, uma suruba só, e a AIDS silenciosa corre solta por aí e os valores, a auto estima se esvaindo também.
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quarta-feira, 8 de junho de 2011
Manuelzinho
"Seu Manuelzinho" é um Senhor pequenino que conheci hoje num abrigo para idosos. Assim que cheguei, muito elegantemente se apresentou, muito arrumado e cheiroso recebeu-me com um beijo e abraço afetuoso como se fôssemos velhos conhecidos, pedi-lhe que passeasse comigo pelo lugar para conhecer e muito alegremente o fez; no caminho apresentou-me a todos que pôde (sem soltar o meu braço ou minha mão) como sua nova amiga, começou primeiro pelo seu aposento, uma grande ala (galpão) masculina, muito simples, separado por divisórias de média altura, com quatro camas de solteiro em cada compartimento. Mostrou-me seus objetos pessoais, tudo muito limpo e organizado em um pequeno armário, perguntei-lhe se precisava de algo e respondeu-me que tinha mais que o necessário, que não sabia o porque de tantas roupas (seis camisas e três calças se não me engano) e outras poucas coisas. Perguntei-lhe se era feliz e Ele disse-me que muito, ficar triste prá quê? Que ali era a casa D'Ele, que tem amigos e é querido que as poucas coisas que o aborrecem é que nem todos colaboram para a organização da casa e alguns não respeitam os outros e fumam em qualquer lugar e Ele não gosta pois não se dá bem com cigarros e nunca fumou. Seu Manuelzinho crê em Deus e é Filho de Maria, é músico, tocou violão enquanto pôde, gosta de futebol e praticou Karatê também. Suas duas esposas se foram, Têm duas filhas que estão por aí que um dia aparecerão para lhe visitar, começa o dia procurando por Luciana a Técnica de enfermagem do lugar, para lhe abraçar pois é a cuidadora preferida porque gosta de rir é carinhosa e lhe dá atenção. Ao final da visita esqueci-me que Ele tinha 86 anos pois parecia uma criança cheia de vida e alegria de viver. Disse-me que é bom conselheiro e que se Eu precisar está à disposição; acho que vou precisar.
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