Conversa aleatória com o filho de manhã e outras que gostaria de dizer: Ele tem 25 anos, está gripado, com uma tosse que preocupa. Vou fazer café, mas a água se transforma em chá contra gripe para ele. Rimos e digo, filho quando eu não estiver mais aqui você se lembrará de mim? Claro mãe. Vai se lembrar de botar camisa quando faz frio e tirar quando faz calor? Vou mãe. De não ficar com os pés no chão frio quando estiver gripado? Vou mãe. De comer com moderação e tomar cuidado com o que come? Por exemplo comer menos cachorro quente e refrigerante nas festas? Vou mãe, e quando comer algo bom vou lembrar que você gostaria de comer um pedaço comigo. Filho, você irá ficar atento a tudo que ronda seu coração, às mensagens ruins contrárias ao amor ao próximo? Ficará afastado de armas e todas as coisas que humilham e entristece o coração das pessoas? Faço isso sempre mãe quando leio algo na internet, quando estou com meus amigos, na rua, no trabalho, em todo lugar. Eu confio em você, hein Filho? Eu também em você mãe, a sinto sempre comigo. Emocionada e feliz aqui.
Que audácia a minha, escrever e disponibilizar algo que pode interessar só a mim, enfim...
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terça-feira, 30 de outubro de 2018
Conversa com o filho
terça-feira, 3 de julho de 2018
A Carta
Uma carta.
Procuro palavras não as encontro, então vão meio atropeladas mesmo. Sei que às vezes quando a pessoa que não se ama, não tem auto estima e não se valoriza o suficiente, fica procurando se encontrar; e algumas tendem a dar ouvidos a qualquer canto de sereia. A fábula da sereia é mais ou menos como a do lobo, que para os ouvidos dos incultos são uma armadilha. O ser é envolvente, diz as coisas que você quer ouvir, pressente que você está carente, perdida e como um(a) predador(a) que é, envolve a presa numa armadilha, às vezes sem volta. Por isso as palavras que quero lhe transmitir são as seguintes: Você mal conheceu alguém e o/a acha tão interessante a ponto de se dizer apaixonada(o), e já está envolvida a ponto de não ver mais nada. Mais uma vez não quer dar ouvidos às pessoas que te amam, né? Até já está pensando em se juntar a Ele(a) ainda que vários sinais lhes diga que não. Claro, você pode fazer isso. Acha que não deve satisfação a ninguém, afinal a vida é sua. É auto suficiente... . Muito bem, em algumas coisas tenho que concordar, afinal você não é mais nenhuma criança (embora aja como tal) a escolha é tua, sempre é; porém antes de fazer qualquer coisa proponho-lhe um exercício: Olhe para dentro de si mesma(o) olhe quem você é, aonde chegou, aonde poderá chegar, olhe o que quer construir pra sua vida, olhe para quem verdadeiramente te acompanha, para as criaturas que te amam, que precisam de você e que sejam prioridade na sua vida; feito isso, agora olhe para essa outra pessoa; que te lança olhares, te envolve com elogios, que acaricia teu corpo de modo sedutor, que lhe quer de qualquer maneira, que você acabou de conhecer. Olhe, olhe friamente e com um certo distanciamento analise: Quem é ele(a), quais seus hábitos, como ocupa seu tempo, quais suas reais intenções, qual seu círculo de amizade, que tipo de ambiente frequenta, tem sonhos, trabalha por eles? Feito isso e se ainda assim o quiser, fazer o quê não é, "é por sua conta e risco", só não envolva gente inocente. Concluindo, tenho certeza que após esse exercicio, duvido que você inteligente como é, insistirá nessa ou em outra qualquer relação parecida. Irá dar um tempo, um bom tempo para seu crescimento e fortalecimento pessoal, irá se amar; muito a ponto de encontrar sua paz interior, a paz que tanto procura, portanto fique calma(o), firme, tranquilo, é difícil sei, mas é preciso para sua felicidade; permita se conhecer melhor a si mesma(o), assim não irá entregar-se facilmente a qualquer pessoa, afinal você não é algo exposto na vitrine para quem queira, levar. Acredite, Você é um ser precioso, a força está contigo. A casa da gente é um santuário, cuidemo-na.
domingo, 3 de junho de 2018
Uma história
A filha chega em casa no horário costumeiro após o trabalho, a mãe está distraída, porém ouve o pai dizer: "Boa noite filha, o que foi que houve? Está tudo bem?" Imediatamente o coração da mãe palpita, evita encarar a filha para não ver seu rosto com problema, pois isso lhe dói e precisa se poupar de sofrimento, senta-se devagar e ao lado assiste a conversa entre os três (o irmão também está presente, ainda bem), todos os que mais se importam naquele núcleo estão ali e atentos àquela jovem. Ela está assustada, decepcionada e triste com o que lhe ocorreu; conta-lhes que naquela tarde mudou o local costumeiro onde espera o ônibus após o trabalho, ela e os amigos achavam-se protegidos por estarem em três, no entanto isto não inibiu os assaltantes de roubaram-lhes os pertences, ela a princípio foi poupada porém os assaltantes retornaram e a sensação de uma mão em seu pescoço com uma faca e o olhar de medo dos amigos foram indescritíveis, fizeram-na ficar paralisada e efetuar a entregar do aparelho celular que acabara de comprar. Todos a abraçam e Ela ainda ansiosa por falar diz: - Mãe, os assaltantes estavam bem vestidos, acima de qualquer suspeita, limpos, cheirosos, ainda sinto o cheiro do perfume dele próximo a mim, estranha, inexplicável sensação, incrível o medo que senti em questão de segundos, meus amigos choraram muito e um deles quando viu o assaltante voltando pensou que era porque o aparelho dele um Ifone é difícil desbloquear e os assaltantes não gostam, ele soube inclusive que pessoas foram esfaqueadas por isso. Esse meu amigo está muito arrasado e traumatizado pois como se não bastasse ele sofre de depressão. - E você filha como está? - Depois que entrei no ônibus é que veio a tremedeira e o choro da violência emocional que sofri, porém graças a Deus estou aqui, bem e com Vocês. Braços estendidos, Sorrisos de alívio, mais abraços, choro. A mãe desolada, tomada pela tristeza por não saber, não ter o que fazer para proteger-se e proteger sua família, o pai e o irmão também visivelmente abalados, se sentindo impotentes mediante a violência que todos estão sujeitos. Repentinamente o irmão providência-lhe um chá com ervas que acalmam, o pai abre um chocolate com poderes mágicos, e mais abraços são trocados. Aos poucos a dor é aliviada, as almas ficam mais leves, a filha lamenta pois terá que pagar por um aparelho celular que não chegou a usar. Pai e mãe lembram e relatam assaltos que sofreram, o pai recorda especialmente de um, quando estava com um dinheiro extra que lhe permitia comprar uma aliança nova para sua mãe, e a indignação que ficou, da raiva sentida na hora, momentaneamente a revolta retorna exasperado fala que ainda bem que não tinha uma arma, pois naquela hora não sabe o que faria, momento este que a filha apesar de todo sentimento que sentia falou: - Não pai, um aparelho celular, aliás não há objeto que valha a vida de uma pessoa, nem toda a raiva justifica a morte de alguém, não sabemos as circunstâncias que o levaram a fazer algo assim. Todos se entreolham e agradecem a sua sensibilidade, por lembrar-lhes seus valores. A mãe lembra-se especialmente de um assalto que sofreu há vinte anos, ou seja, concluem que a violência ocorre não é de hoje. Há um verdadeiro colóquio. Surgem críticas à política de segurança praticada há anos no país, e que comprovadamente não funciona, não reduz a violência, fala-se sobre questões sócio-culturais e a ineficiência do Estado, das políticas educacionais e etc. A conversa flui por horas como alguns dias não ocorria, fala-se de sentimentos, como medo, insegurança, de formas de enfrentamento dessas questões, fala-se do amor pelo país, da vontade de apesar de tudo jamais sair do Brasil; a não ser que o porte de armas seja liberado, concluem que este é um bom motivo para procurar um outro lugar. Há uma viagem em vista, planeja-se dar um jeito e ir todos, há um sentimento de unidade, de união, de amor, manifesta-se a vontade de fazer algo muito bom juntos e uma viagem é sempre algo prazeroso, capaz de ocupar a memória com imagens e boas sensações que suplantam outras não tão boas. Isso bora fazê-la acontecer.
segunda-feira, 9 de abril de 2018
Homenagem à Antonio, seu Pai.
Meu pai era um homem humilde, de hábitos simples e como muitos de sua origem pobre, não conheceu os livros e a ele coube os trabalhos de gente da sua origem por exemplo, o Trabalho duro da roça; atividades que muitos da cidade não conhecem, como o corte de cana, a colheita de milho, café, algodão. Mãos grossas calejadas. Não me desgrudava dele. Jovem durante um feriado desses, queria estar junto e como tinha curiosidade em conhecer sua rotina resolvi ir com ele trabalhar na colheita de café, mamãe me preparou para a empreitada com roupas grossas e uma touca de pano que ela fazia com abas compridas para proteger a cabeça e as laterais do rosto. Lembro dos rostos castigados e a dificuldade em subir no caminhão dos paus de arara como eram chamados e a marmita fria. Dos quatro dias que havia me disposto a ir, só aguentei dois, as mãos estouraram em feridas e calos. Várias vezes o vi beirando a exaustão devido aos trabalhos duros, pesados; por essas e outras morreu cedo. Emociono ao lembrar dele, a falta que me faz, de seu orgulho e esforço sobrehumano em conjunto com mamãe Maria em alimentar seus seis filhos e mantê-los na escola, das mãos grossas que gostava de pegar e que ele evitava com ela nos acarinhar por medo de nos machucar; de tentar ensiná-lo a ler e escrever, da dificuldade e orgulho dele em assinar seu nome, Antônio. Nome forte de uma pessoa íntegra, amiga, trabalhadora, gentil, delicada, generosa. Adiante de seu tempo, à época a meninas não cabiam bem certas coisas, mas ele não só acompanhava meus gostos como apoiava, incentivava, em atividades como futebol feminino, handebol. Cuidou de muitos esfolados e contusões em mim, passou muito gelol, rsrsrs. Me levou a pescarias e em partidas de futebol para apoiar e auxiliar nas atividades de seu time. Papai preocupado com seus filhos criou na cidade um time por três gerações, Dente de leite, Mirim e Junior, com isso ajudou a incutir valores nos filhos e de muitas crianças, recuperou delinquentes, foi um grande homem. Herdei dele, as virtudes, o gosto pela natureza, a resiliência, a covinha no rosto e o sorriso. Privilegiada eu fui, eu sou.
domingo, 8 de abril de 2018
Uma experiência sugestiva
Vez ou outra é preciso sair de casa, ir ao encontro de pessoas para rir, jogar conversa fora, desopilar a mente; se tiver uma música de fundo, um bom grupo de samba por exemplo, melhor ainda; com uma cerveja gelada para acompanhar, o papo flui descontraído; estabelece-se laços, projetos são planejados como por exemplo uma viagem partilhada com amigos pela Bielorússia; por alguns momentos o mundo gira só em torno de coisas que dão prazer, o interessante é que a sensação perdura ainda por alguma horas e ainda que se esteja um pouco altinha atividades corriqueiras como cozinhar por exemplo, tornam-se interessantes pela necessidade de mais que nunca se manter concentrada, coloca-se o óleo com alho na panela e de repente corre atabalhoadamente a colocar o arroz e permanece atenta para não queimar, lembra inesperadamente que apesar do adiantado da hora, quer levar um bolo para o trabalho no dia seguinte, para agradar a uma amiga que faz aniversário. Recita para si própria, bater no liquidicador o óleo, o açúcar, as bananas d'água, e os ovos, um não, três; mistura à parte com a farinha, o fermento, o leite e uma pitada de canela, coloca em forma untada para assar, por aproximadamente 40 minutos. O corpo malemolente resiste em entregar-se ao doce desejo de dormir pois afinal tem que vigiar o forno para o bolo não queimar, ao longe desejos da ordem dos afetos surge, espera ter disposição para usufruir de todas as boas sensações; dar conta de tudo antes de entregar-se nos doces braços de Morfeu.
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Standby
Os pensamentos vagueiam, inconstantes, não se fixam em lugar algum, em ninguém, nenhum propósito, nenhum destino. A pessoa que os carregam, encontra-se assim, em "standby", em compasso de espera, recuperando-se, reunindo forças para continuar, está um pouco cansada das frustrações, de ser a protagonista de tudo. No momento quer ficar quieta, curtindo a paisagem, assistindo o desenrolar dos acontecimentos sem Ela. Olhos curiosos a observam, quanto tempo haverá de ficar assim? Ela ignora, faz o básico. O corpo extravasa os excessos na forma de dor. Ah como é bom ficar quieta, só consigo mesma. Humm será que o corpo dói justamente por estar quieto, parado? A planta no vaso também lhe observa, apontando-lhe que também precisa de cuidado, as raízes estão expostas, precisando de substrato, de mudar de lugar. Há um certo arquivo de papéis precisando ser organizado (aliás dois). É preciso encerrar aquele projeto; há um outro para começar. Amanhã, amanhã talvez.
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domingo, 12 de março de 2017
Sobre sorrir e chorar
Trabalhando para uma pessoa com temperamento explosivo muito difícil, um dia em uma reunião, Ele no auge da explosão, olhou para mim e disse "E Você? Sempre com essa calma, esse sorrisinho no rosto?! Respondi: "Você queria que Eu me derramasse em lágrimas né? Nunca lhe dei esse prazer. Embora escondida às vezes. Aliás como é bom chorar, lavar a alma como se diz, choro por emoções que sinto: de raiva, de alegria extrema, por prazer, por tristeza, por perdas (Essa é impossível não chorar), as vezes a saudade é tanta que choro; por sensações, como a dor física, quem ainda que disfarçadamente não verte uma lágrima por um belo tropeção, uma martelada, um aperto inesperado num dedo?. Quem não chora, não ri, não sai da linha de vez em quando, não é humano. Pra você sempre o meu melhor sorriso, verdadeiro.
domingo, 15 de janeiro de 2017
Companhia-23.11.2016
A pessoa trabalhando, tarde da noite, Eu querendo ajudar, mas não podendo interferir efetivamente. Sentei ao lado, entretida com uma leitura, num dado momento disse: "Tô aqui sentada sem fazer nada, quero ser companhia de alguma forma, faz de conta que sou um vaso de flores." Eu hein? Às vezes falo cada uma. Só sei que a pessoa sorriu e disse, tá ótimo meu bem.
Sobre cuidado - 08.12.2016
Pensando aqui que temos que cuidar uns dos outros e também de nós mesmos. Como assim? No dia a dia, tomar conta do ambiente; em um espaço comum, porém de uso coletivo não tem essa coisa de quê os incomodados que se retirem, é fazer sua parte, chamar o outro/a outra à responsabilidade, à ação também, é conversar para que o ambiente seja harmônico a todos, seja no lar, seja no ambiente de trabalho, escola, etc., as vezes é incomodar mesmo, mas onde estiver esteja vivo, atuante. Isso significa trabalho e nesse movimento significa relacionar-se com pessoas, estar atento às demandas do lugar e em quê, no que posso fazer para contribuir; espontaneamente e/ou perguntando mesmo. De outra forma e complementar à primeira, é cuidar de si, não sei de vocês, mas tomando como exemplo a percepção de mim mesma, sinto as vezes uma dualidade, um outro ser em mim. Então, é ficar antenado com meu interior, conversar comigo mesma(o), com esse "ser" que interage/interfere nos meus propósitos, é tomar conta dos meus pensamentos, duvidar de mim mesma(o) Sim porque a gente se trai, esse "ser" as vezes tenta roubar minha/sua paz de espírito, implantar pensamentos auto destrutivos, o desânimo, a tristeza no coração. Então, é olhar-se no espelho, procurar enxergar-se a si no emaranhado de coisas, é desfazer-se do que está morto, velho, descascado, manchado, é enfeitar-se, passar um hidratante no corpo, colocar uma roupa que te identifique, que te faz presença, é pintar a casa, passar um batom, sorrir pra vida, estar aberto às emoções, para o novo, às várias possibilidades; é proteger os pés e o corpo adequadamente para as intempéries da vida, é rever a bagagem, preparar a mochila, continuar o percurso que só Deus sabe, mas confiar, é transpor os pedregulhos mas ficar atento às pérolas do caminho. Raimunda Silva de Santana, inspirada.
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