Que audácia a minha, escrever e disponibilizar algo que pode interessar só a mim, enfim...
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quarta-feira, 13 de março de 2019
Luto por Suzano
#Luto pelas mortes em Suzano-SP, não consigo imaginar a dor dos pais e familiares, luto após luto nesse país, haja coração. Tá passando da hora de verdadeiramente acolhermos nosso próximo, de prestarmos atenção uns nos outros, nas suas carências, de ouvir, aguçar o espírito da bondade, do amor, da generosidade. Sei que a perplexidade é tanta que não encontramos explicação, a tendência é pensar em morte "ah se alguém tivesse uma arma também..." mas a história mostra que isso não funciona para barrar a violência, temos que modificar nosso modo de agir enquanto sociedade; em alguns lugares do mundo, como nos EUA por exemplo, tragédias como essa são corriqueiras e isso vem se pontuando na nossa realidade já a umas três décadas, aos poucos toda a forma de ódio está mais frequente, haja vista as agressões e mortes corriqueiras especialmente de mulheres e LGBTs, negros, índios, quilombolas, de membros dos movimentos sociais. O ódio caminha e cresce; talvez pela desigualdade, pelo consumismo excessivo, pelos jogos eletrônicos, pela alienação das pessoas, especialmente dos jovens devido aos muitos estímulos visuais que recebem, pela tal falta de limites, pela falta de amor e carinho na infância, pela falta de diálogo, etc. vai saber, arrisco a dizer que é um pouco de tudo isso e mais o discurso de ódio, gesto de arminha inclusive das mãos de cristãos. O fato é que o mundo mudou, desde sempre, e fomos nos perdendo do que somos, nossa essência, o que nos faz humanos. Que sejamos atentos a essas questões, talvez seja o caminho.#maisamorporfavor #nãoasarmas #maisatençaoaeducação, #Lutemospelavida, #espalheamor.
quinta-feira, 5 de julho de 2018
Causo moderno
A história se passa em uma marmoraria, o ambiente é descontraído, muitos homens, machões, com fama de pegadores, sabem como é, não podem ver mulher... Joãozinho é um fanfarrão, diz que não gosta da mulher que mora com Ele, que tá com Ela só porque o filho é especial e Ela é totalmente dependente dele, mas segundo ele, mesmo assim se pegam de vez em quando. O Zé ficou viúvo duas vezes, não teve sorte segundo Ele, mas é namorador, adora uma novinha, uma conquista. Zé vez ou outra está com o celular na mão, só no ZAP ZAP, outro amigo curioso provoca: e aí Zé, só zapeando, qual a novidade da vez? Zé não quer mostrar, e na brincadeira/provocação, o amigo toma-lhe o celular, vê coraçõezinhos, beijinhos, palavras sedutoras, apaixonadas, e continua a provocação. Ãh agora quero ver quem é, humm até que é bonitinha, você não é mole não. Olha aí pessoal, maior gata. Outro colega vê a foto, e com ar de espanto diz: Conheço essa aí, é a mulher do Joãozinho! Gargalhadas, gozação geral com a cara dele, chamam-no de corno, chifrudo e outros termos pejorativos. O clima esquenta, Joãozinho parte pra cima do Zé, bate, xinga, a turma tenta apartar. A chefe, ouvindo e vendo a confusão, bota ordem no pedaço, Ela que sabe a história de todos chama o Zé num canto e conversa com Ele: Zé você também hein? Tinha hque pegar a mulher do cara que trabalha com você? e outr, você pelo menos usou proteção? Não, né? Ela sabe que você tem AIDS? Que você já perdeu duas esposas devido a essa doença? Falar e nada é a mesma coisa, Ele não tá nem aí. Joãozinho por sua vez, chegou em casa e desceu o cacete na mulher, e esta disse que quis sacaneá-lo mesmo, dar-lhe o troco, para ele deixar de ser galinha. Zé no dia seguinte vai armado pro trabalho, para matar o João. Confusão, polícia e demissão de ambos. Tempos depois a patroa em uma festa, conversa com outra mulher e esta está feliz porque a filha que tem dois filhos e é sozinha finalmente encontrou uma pessoa de bem, um cara boa pinta, simpático, o José seu ex funcionário. A patroa explica que Ele já não trabalha com Ela e pergunta se a filha sabe que ele tem AIDS, desespero da outra, acabou a festa pra Ela. A patroa ainda quer ter oportunidade de reencontrar o João e contar pra Ele sobre a possibilidade de Ele e/ou a mulher terem pego AIDS para que ambos procurem um médico para investigar e se tratarem. Enfim, esse Zé vou te contar, não é mole não, é um conquistador mesmo, um Zé mané, e pensar que como Ele e o João há muitos por aí. É fulano que come sicrana, que dá praqueleoutro, um pega pega geral, uma suruba só, e a AIDS silenciosa corre solta por aí e os valores, a auto estima se esvaindo também.
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terça-feira, 3 de julho de 2018
Sorriso, minha arma
O sorriso é minha arma, com ele supero a dor da saudade, das partes de mim espalhadas. Sigo com um sorriso na cara e com o coração enorme de carinho contido, guardado. Ah aguarde-me. Quando chegar, haverá uma profusão de alegria, quero todo o amor extravasado, sem moderação.
terça-feira, 19 de junho de 2018
Sobre a opção de ser mãe
Dizem que há mães que não querem seus filhos, os rejeitam, os abandonam. Sei que há. Há. No fundo no fundo o que elas têm é medo, medo do turbilhão de emoção que esse nome carrega, de sua imensidão. Têm medo de não darem conta, e muitas vezes não dão mesmo, pois muitas não sabem lidar até mesmo com o que não tiveram, amor; ou com o que tiveram, provações; situações de abandono, violência. É verdade que é possível evitar filhos, a forma mais efetiva sabemos, é não ter relações sexuais com homens. Se isso ocorrer, o risco há, ainda que tenha todo um aparato de coisas para evitá-los. Sabemos também que nem sempre isto é evitável, Mulheres vocês sabem. Sabemos também que um filho, (há umas poucas mulheres que os bancam sozinhas), reclamam também um pai, no sentido da palavra. Perdoem-me mas por mais heroína que uma mulher seja, ser mãe é algo difícil, exige abdicação, desprendimento, amor para além de si mesmas; é deixar parte de você para ser o outro, nem todas tem a força, a fé e coragem necessárias especialmente se estiverem sozinhas. Portanto mulheres, mães ou não, que se acham auto suficientes, sejam condescendentes, tenham empatia com as outras mulheres que não são fortes, fervorosas, esclarecidas como você, procurem conversar com as mulheres ainda meninas, orientem-nas, acolham-nas, ensinem-nas a se amarem, a se respeitarem, que sintam orgulho da sua condição de mulher, transmitam-lhe coragem para enfrentar as situações adversas, não as deixem sozinhas (não fiquemos sozinhas) em que situação for, não condenem, não as julguem (esse papel não cabe a você), mas antes sejamos solidárias. E homens não falem do que não conhecem. Sejam homens, parceiros, responsáveis, respeitem o sagrado feminino; e se fertilizarem uma mulher, cumpram seu papel de homem e seja um Pai. Talvez assim, um dia nenhuma mulher e homem pratiquem o aborto de um feto, sim feto, (Filho desde o início ou após e sempre quando é acolhido no coração), e de crianças nascidas como as que vemos nas ruas e orfanatos abandonadas à própria sorte. Que Deus me perdoe por pensar e divulgar meu pensamento e talvez chocá-lo(a) por ele.
domingo, 17 de junho de 2018
Sobre amizade, sonho e amor
A música A Lista, do cantor e compositor Oswaldo Montenegro, que aprecio ouvir, recomenda: "Faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há dez anos atrás;quantos você ainda vê todo dia; quantos você já não encontra mais. ..." Me fez refletir o seguinte: Todos os meus grandes amigos estão aqui, ou por aí, não estão perdidos, são conscientes de nossa amizade, não nos encontrarmos mais é consequencia do destino, que faz com que sigamos um caminho que muitas vezes tornam os encontros escassos ou impossibilitados por questões várias. Homens e mulheres somos seres errantes, a caminhar muitas vezes sem rumo, e como flores vamos deixando sementes por onde passamos, sim, quero falar das coisas boas, das sementes que germinaram, que cresceram, que continuam o ciclo da vida, ou seja, espalhamos sementes, que levadas pelo vento, pelos passarinhos e outros animaizinhos da natureza, novas sementes são germinadas e florescem ao longo do tempo. Assim são as amizades, as verdadeiras amizades, as que ficam para sempre; ou seja, não ver um amigo, até mesmo não reencontá-lo mais, é um detalhe, às vezes doloroso devido à saudade que nos trai, mas hoje ao reavivar as lembranças do tempo, vejo que por onde passei a terra foi fértil, e para celebrar a amizade; vez ou outra fazemos festa para motivar o encontro, o abraço, e nesse momento com gratidão vejo que o espaço é insuficiente para comportar todos os que gostaria que estivessem nesse lugar, que meu pensamento o/a encontre onde estiver. Continuando com a música, a segunda estrofe diz: "Faça uma lista dos sonhos que tinha; quantos você desistiu de sonhar, quantos amores jurados pra sempre; quantos você conseguiu preservar".?. Houve um tempo em que não me era permitido sonhar, muitos sabem o que é isso, é uma força invisível, uma barreira imposta aos indivíduos pobres ou com determinados estereótipos e/ou características, cujos códigos sociais visam a os limitar, a condicioná-los a um lugar sem sonhos, a uma condição de vida pré-estabelecida; mas fui/sou/somos ousados, desobedientes e nos atrevemos a sonhar, a acreditar, a realizar, os amigos que me acompanham todos são assim, realizadores, insistentes, persistentes, tem fé, gostam da peleja da vida, que retroalimenta em vida. Momento vaidade: Certa vez recebi (pasmem, de meu patrão) um presentinho e uma frase escrita em um papel, (famosa,porém desconheço a autoria) "Não sabendo que era impossível, Ela foi lá e fez." Chorei. Após vários sonhos realizados, (alguns nem sabia que tinha e aconteceram) tento sonhar com responsabilidade (se é que seja possível). Há uma frase (não consegui comprovar a autoria) que vez ou outra me ocorre que é mais ou menos assim: "Seja responsável por seus sonhos, eles podem se realizar "é algo como um aviso; cuidado para não conseguir algo que não possa suportar/carregar, evite os escessos, o desperdício, a felicidade está nas coisas descomplicadas/simples. Mas sigo sonhando sonhos possíveis e impossíveis também (alguns sem saber, vai que?) Quanto aos amores jurados e preservados (de que tipo de amor falamos? Se toda a forma de amor vale a pena?) De qualquer forma sinto-me uma privilegiada de ter um amor, cujas juras foram feitas há trinta anos e se Deus quiser me acompanhará até o fim dos meus dias. Sigamos.
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domingo, 3 de junho de 2018
Uma história
A filha chega em casa no horário costumeiro após o trabalho, a mãe está distraída, porém ouve o pai dizer: "Boa noite filha, o que foi que houve? Está tudo bem?" Imediatamente o coração da mãe palpita, evita encarar a filha para não ver seu rosto com problema, pois isso lhe dói e precisa se poupar de sofrimento, senta-se devagar e ao lado assiste a conversa entre os três (o irmão também está presente, ainda bem), todos os que mais se importam naquele núcleo estão ali e atentos àquela jovem. Ela está assustada, decepcionada e triste com o que lhe ocorreu; conta-lhes que naquela tarde mudou o local costumeiro onde espera o ônibus após o trabalho, ela e os amigos achavam-se protegidos por estarem em três, no entanto isto não inibiu os assaltantes de roubaram-lhes os pertences, ela a princípio foi poupada porém os assaltantes retornaram e a sensação de uma mão em seu pescoço com uma faca e o olhar de medo dos amigos foram indescritíveis, fizeram-na ficar paralisada e efetuar a entregar do aparelho celular que acabara de comprar. Todos a abraçam e Ela ainda ansiosa por falar diz: - Mãe, os assaltantes estavam bem vestidos, acima de qualquer suspeita, limpos, cheirosos, ainda sinto o cheiro do perfume dele próximo a mim, estranha, inexplicável sensação, incrível o medo que senti em questão de segundos, meus amigos choraram muito e um deles quando viu o assaltante voltando pensou que era porque o aparelho dele um Ifone é difícil desbloquear e os assaltantes não gostam, ele soube inclusive que pessoas foram esfaqueadas por isso. Esse meu amigo está muito arrasado e traumatizado pois como se não bastasse ele sofre de depressão. - E você filha como está? - Depois que entrei no ônibus é que veio a tremedeira e o choro da violência emocional que sofri, porém graças a Deus estou aqui, bem e com Vocês. Braços estendidos, Sorrisos de alívio, mais abraços, choro. A mãe desolada, tomada pela tristeza por não saber, não ter o que fazer para proteger-se e proteger sua família, o pai e o irmão também visivelmente abalados, se sentindo impotentes mediante a violência que todos estão sujeitos. Repentinamente o irmão providência-lhe um chá com ervas que acalmam, o pai abre um chocolate com poderes mágicos, e mais abraços são trocados. Aos poucos a dor é aliviada, as almas ficam mais leves, a filha lamenta pois terá que pagar por um aparelho celular que não chegou a usar. Pai e mãe lembram e relatam assaltos que sofreram, o pai recorda especialmente de um, quando estava com um dinheiro extra que lhe permitia comprar uma aliança nova para sua mãe, e a indignação que ficou, da raiva sentida na hora, momentaneamente a revolta retorna exasperado fala que ainda bem que não tinha uma arma, pois naquela hora não sabe o que faria, momento este que a filha apesar de todo sentimento que sentia falou: - Não pai, um aparelho celular, aliás não há objeto que valha a vida de uma pessoa, nem toda a raiva justifica a morte de alguém, não sabemos as circunstâncias que o levaram a fazer algo assim. Todos se entreolham e agradecem a sua sensibilidade, por lembrar-lhes seus valores. A mãe lembra-se especialmente de um assalto que sofreu há vinte anos, ou seja, concluem que a violência ocorre não é de hoje. Há um verdadeiro colóquio. Surgem críticas à política de segurança praticada há anos no país, e que comprovadamente não funciona, não reduz a violência, fala-se sobre questões sócio-culturais e a ineficiência do Estado, das políticas educacionais e etc. A conversa flui por horas como alguns dias não ocorria, fala-se de sentimentos, como medo, insegurança, de formas de enfrentamento dessas questões, fala-se do amor pelo país, da vontade de apesar de tudo jamais sair do Brasil; a não ser que o porte de armas seja liberado, concluem que este é um bom motivo para procurar um outro lugar. Há uma viagem em vista, planeja-se dar um jeito e ir todos, há um sentimento de unidade, de união, de amor, manifesta-se a vontade de fazer algo muito bom juntos e uma viagem é sempre algo prazeroso, capaz de ocupar a memória com imagens e boas sensações que suplantam outras não tão boas. Isso bora fazê-la acontecer.
domingo, 6 de maio de 2018
Luto de amor
Quanto tempo leva o luto de uma separação, da "perda" de um amor, do fim de um casamento? Não sei, porém se foi é porque como se diz, "já deu o que tinha que dar", é perda de tempo ficar imaginando o que poderia ter sido, como seria a vida se ainda estivessem juntos, pois o que você teria para/com aquele amor já viveu, já foi, é passado. Não é culpa sua se não estão juntos ainda hoje, tudo foi vivido intensamente como deveria ter sido e foi bom enquanto durou, pare de ficar se lamentando, se auto infringindo dor e sofrimento infinitamente; chore mas vire a página da história, da sua história. Uma nova precisa ser escrita. Todo dia é um recomeço, um novo despertar, talvez o motivo das frustrações seja porque muitas vezes a gente passa a vida romantizando as situações, moldando uma companhia ideal e o ideal não existe e tampouco é moldavel. Somos levados a crer em padrões, em estruturas perfeitas e nos tornamos infelizes por acharmos que por não atender certos requisitos estamos fora desta situação idealizada e corremos o risco de forçar uma situação, um certo enquadramento das pessoas que amamos a esses conceitos e assim sem perceber começamos a perdê-los, pois deixamos de curti-los no que eles têm de mais encantador que é aquilo que os despertou pela primeira vez, o tempo em que se perdiam juntos, que sorriam juntos, que falavam a mesma linguagem, que eram livres, porém sem se perder de vista, sendo presença sem ser presente. Certo é que não temos controle de nada, nem de nós mesmos, nem do outro, de ninguém, com tudo isso algumas vezes é preciso deixar ir, alguns para não mais voltar. Alguns até voltam por algum motivo, porém o amor, esse só permanece se haver encantamento, admiração, cuidado, vontade de ficar.
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
o que não nos mata nos fortalece
O que são pessoas de luta e resistência? São pessoas que com certeza já visualizaram a dor, a solidão, o medo, e por mais paradoxal que possa parecer, a cada situação foram se solidificando e fortalecendo a ponto de poucas coisas a abalarem, como por exemplo os sentimentos que lhes provoquem o riso, a alegria, que lhes façam sentir amor. Até o ódio se lhes é indiferente a ponto de mediante uma reação inesperada de ódio, ou de rejeição de alguém, resta-lhe devolver um olhar de condescendência, de compaixão somente, pois é algo que não se paga com a mesma moeda. Ódio por ódio é morte mútua, é entrega, é desespero, destempero. As pessoas que conseguem chegar nesse estágio de crescimento, são guerreiras, sempre preparadas para o bom combate, estrategistas e vencedoras. Não que não chorem, não sintam dor, muito ao contrário; é que deixam para dividir sua fragilidade somente com aquelas que lhe são iguais, que são merecedoras da sua confiança, as poucas pessoas felizardas de sua cumplicidade e afeto. Quero ser uma dessas merecedoras.
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terça-feira, 12 de julho de 2011
Minha filha e Eu
Nossa relação de amor começou quando soube qual era seu sexo. Era um dia quente de verão, num dia de fevereiro. O médico me disse: Você terá uma menina, uma filha. Imediatamente uma sensação de ternura e amor tomou conta de mim; num misto de alegria e já pensando em protegê-la, alisei carinhosamente a barriga e pensando disse-lhe: Seja bem vinda filha e venha com coragem e sabedoria; pois, o mundo aqui fora por vezes é rude para conosco, o que torna a vida difícil. E Ela veio com a pele já dourada pelo sol e seu jeito de olhar expressavam toda a carga genética das mulheres qua a antecederam, como que pronta para o que iria viver e me dizendo a grande mulher que era. Lembro-me que fiquei assustada, como uma bebê poderia mexer tanto comigo? Seu olhar me inspirava de antemão, respeito, admiração e uma certa insegurança de "não dar conta do recado", pois me dei conta que era uma menina ainda (apesar de meus quase 32 anos), que seria mãe de uma mulher e precisava fornecer-lhe o suporte necessário para que trilhasse seu caminho. Como fazê-lo? Não há cartilha para isso. Vou tateando, usando um pouco de sensibilidade, às vezes uma certa rigidez e austeridade (a contragosto), meio por instinto e vou procurando conquistar sua confiança e não sufocá-la com minhas expectativas, com meus medos, com meu excesso de zeloe amor, tentando dosar minhas reações na medida certa (por vezes não consigo) de forma que Ela exerça seu jeito de ser com autonomia e confiança, sem medo de ser feliz. Paralelo a tudo isso, Ela continua mexendo comigo, me deixando intrigada, me instigando a acompanhar seu compasso, para não perdê-la e assim, continuar a caminhar lado a lado consigo e com isso me fazer crescer e viver junto com Ela.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Amor aos olhos de uma criança
ELe tinha uns 8 anos e perguntou-me quem Eu amava e de forma direta e simples para que entendesse fui pontuando: Eu amo você, sua irmã, seu Pai, sua avó, minha mãe, meus irmãos, ... . Curiosa retruquei e você quem você ama? Pois Eu mãe, amo todas as coisas desse mundo, aquelas que conheço e não conheço também. Nesse dia me senti envergonhada e pequena; recebi uma lição que serve para mim até os dias de hoje e vez ou outra rememorizo para não esquecer e amar sem seleção e tentar olhar o mundo com os olhos de uma criança.
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