Que audácia a minha, escrever e disponibilizar algo que pode interessar só a mim, enfim...
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quarta-feira, 22 de agosto de 2018
Todos os dias
Todos os dias, o mesmo ritual. Higieniza o corpo, hidrata o corpo, o rosto, se embeleza, coloca um sorriso, olha a "cara" do dia, o humor, coloca um pouco de cor, e sai pra vida, porque do contrário não seria vida, seria uma coisa amorfa, sem dor, sem riso, sem risco, sem luz, porque a luz que você vê é a que você carrega e que emana do outro, que faz com que não importa a "cara" do dia, é você que o faz bom ou ruim. Sim, você tem esse poder.
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
o que não nos mata nos fortalece
O que são pessoas de luta e resistência? São pessoas que com certeza já visualizaram a dor, a solidão, o medo, e por mais paradoxal que possa parecer, a cada situação foram se solidificando e fortalecendo a ponto de poucas coisas a abalarem, como por exemplo os sentimentos que lhes provoquem o riso, a alegria, que lhes façam sentir amor. Até o ódio se lhes é indiferente a ponto de mediante uma reação inesperada de ódio, ou de rejeição de alguém, resta-lhe devolver um olhar de condescendência, de compaixão somente, pois é algo que não se paga com a mesma moeda. Ódio por ódio é morte mútua, é entrega, é desespero, destempero. As pessoas que conseguem chegar nesse estágio de crescimento, são guerreiras, sempre preparadas para o bom combate, estrategistas e vencedoras. Não que não chorem, não sintam dor, muito ao contrário; é que deixam para dividir sua fragilidade somente com aquelas que lhe são iguais, que são merecedoras da sua confiança, as poucas pessoas felizardas de sua cumplicidade e afeto. Quero ser uma dessas merecedoras.
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sexta-feira, 14 de julho de 2017
Instante
Porque o instante existe, e é preciso o riso, o canto, o encontro; para que a vida se manifeste e o calor minimize a agonia, a dor que insiste.
sexta-feira, 31 de março de 2017
Uma história triste
Uma história real, triste. Em um dia de março de 1999, (me benzendo agora para que não se repita), na Rua das Laranjeiras, Flamengo-Rio, fui vítima da famosa "saidinha de banco". Em plena luz do dia me vi cercada por três assaltantes que discretamente me mostraram as armas, instantaneamente me senti acuada como um animalzinho cativo, em choque abri minha bolsa onde suas garras ávidas, pegaram o dinheiro, lembro de suas caras drogadas, do riso sem dentes ou quebrados. Isso feito, sumiram imediatamente. Poucas vezes chorei da forma como chorei, me senti absolutamente só, vulnerável, uma ninguém, pois apesar de várias pessoas assistirem a cena (porteiros dos edifícios, técnicos da Cia de energia que estavam praticamente ao lado e transeuntes vários), frustrada pensava porque ninguém faz nada, um grito sequer? (Hoje entendo, o que fazer ante a ameaça de uma arma?) Completamente desconsolada, apareceu um policial que fazia ronda no bairro e solícito falou-me: "Foi agora Senhora? Vou pegar Eles, a Senhora reconhece?" Descrevi, e com a arma na mão começou a abordar todos os jovens negros que passavam, lembro de suas caras assustadas, do medo estampado, as mãos trêmulas procurando a Identidade, da adrenalina que exalava do policial, da tensão e cansaço em seus olhos, do desejo de cumprir seu papel, me proteger, prender os assaltantes. E recuei, pensei e falei: "Seu policial agradeço sua atenção, mas deixa pra lá, estou muito nervosa posso me confundir e cometer uma injustiça ou colocar a vida de alguém em risco." Ele falou: "Tem certeza?" Sim. "Ok, mas qualquer dia menos dia, Eles dão um vacilo e pegamos Eles, porque essa gente não vive muito tempo não. Vou acompanhá-la até sua condução". Durante o percurso conversamos entre outras coisas e ainda chorosa, falei: "Sendo policial esse tipo de coisa não acontece com você não é mesmo?" Ele: "A Senhora que pensa, dia desses, em meu carro, com minha família, o bandido colocou a arma na minha cabeça e anunciou o assalto no sinal de trânsito, gelei, todos apavorados, e torci para que Ele não visse minha identificação de policial, e no menor vacilo, matei-o ali mesmo." Impressionada com o relato, com a naturalidade, falei: "mas e aí? Como é conviver com isso?" Ele falou: "Por Ele não senti nada pois um minuto antes, poderia ter sido Eu, pela mãe dele sim, naquela noite eu não dormi, fiquei pensando nela, sim, porque uma mãe chora por qualquer filho."
Esse fato me marcou, vez ou outra penso nesse policial, se Ele está vivo, quantos matou, quantas noites insones, penso também nos jovens bandidos, em sua maioria negros, favelados, marcados para uma vida curta, na desestruturação das famílias, na falta de orientação, oportunidades, na ausência do Estado, na tragédia social que se encontra nossa sociedade, nesse período arcaico de-se tentar fazer justiça pelas próprias mãos, no salve-se quem puder, ou se não encontrar uma bala perdida, nas mães que choram pela perda de um filho(a) em qualquer situação (e os pais também). Assim como o policial, todos somos vítimas desse contexto, do Estado falido. Rogai por Nós, óh Pai!
Esse fato me marcou, vez ou outra penso nesse policial, se Ele está vivo, quantos matou, quantas noites insones, penso também nos jovens bandidos, em sua maioria negros, favelados, marcados para uma vida curta, na desestruturação das famílias, na falta de orientação, oportunidades, na ausência do Estado, na tragédia social que se encontra nossa sociedade, nesse período arcaico de-se tentar fazer justiça pelas próprias mãos, no salve-se quem puder, ou se não encontrar uma bala perdida, nas mães que choram pela perda de um filho(a) em qualquer situação (e os pais também). Assim como o policial, todos somos vítimas desse contexto, do Estado falido. Rogai por Nós, óh Pai!
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Descompasso
Aos poucos não se sabe quando, tudo começou a mudar. Os olhos raramente se cruzam, (algumas vezes há até alguma frieza no olhar), o riso ficou escasso (pelo menos um para o outro), os abraços são raros, as conversas são pontuais e não com alguma impaciência. Há um certo descompasso. Ele quer espaço, têm dificuldade de administrar a atenção que sua família requer e sua atividade profissional exige, tudo se mistura. Vive como se o dia fosse o último, a mente está cheia de compromissos, o tempo é pouco para tantas coisas, tem que dar conta de tudo e de todos e se manter conectado é preciso. Todos o querem e o procuram; é bom se sentir importante, ser notícia, massageia o ego. Ela observa, está ao lado ainda que distante, pois nunca quis ser "uma pedra no meio do caminho de alguém", insatisfeita, com uma certa infantilidade espera pelo "principe" que Ele foi um dia, onde "perdiam tempo" um com o outro, com carinho e longas conversas, vê tudo com uma certa reserva/distanciamento, com ciúmes das coisas que o afastam dela. Fica na retaguarda preservando o sentimento que ainda resta, que os une. O corpo está ávido por carinho e expressões de afeto, não quer o tempo que lhe resta, o fim do dia, quando a noite chega e o corpo está cansado inclusive para a expressão do desejo.
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