Que audácia a minha, escrever e disponibilizar algo que pode interessar só a mim, enfim...
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terça-feira, 30 de outubro de 2018
A cor da resistência
Sempre fui essa branca, cor de burro quando foge, com esse cabelo sarará, crespo quase pichainho, e sempre ouvi indiretas para alisar o cabelo, que cabelo liso é cabelo bom, etc. Houve um tempo em que induzida por tais preconceitos, alisava, aloirava o cabelo, sem perceber disfarçava vestígios de minha origem, como eu era, algumas nem se dão conta que não se aceitam e por isso ainda se escondem; mas nada se compara ao estigma, à dor de quem tem a pele negra, os traços da negritude. Pois hoje, se houvesse mágica queria que Deus jogasse um balde de tinta em mim, me fizesse com a pele bem pretinha, bem retinta pra fazer conjunto com meu cabelo, me enfeitaria com as cores mais belas, passaria óleo e hidratante pra cuidar dela e ficaria bem reluzente, cuidaria mais do meu corpo, ressaltando todos os meus traços, me esforçaria ainda mais para ficar bem pertinho dessa gente ruim que tudo faria para me diminuir, minha satisfação seria desfilar na cara dele/dela, da sociedade inteira, as faria vomitar toda a sua repulsa, até passarem mal. Gente ruim, mais ainda quando acham que é mimimi, mais ainda são aqueles que esqueceram de si, de seus ancestrais, de sua origem, de sua história e fazem papel do feitor, do capitão do mato, do dono do engenho, do dono de escravos. Esses que me fazem chorar hoje, haverão de queimar no quinto dos infernos. Ah se vão! Praga de mãe é bendita e forte.
terça-feira, 3 de julho de 2018
Sou daquelas
Sou daquelas que fica procurando no dia a dia as coisas boas, atenta às sensações da pele provocadas pelo vento, pelo sol, pela chuva; que aprecia a lua, o som da música, dos passarinhos e seu revoar, o sobrevoo e beleza das borboletas, que gosta de cor, de toda a cor e especialmente que gosta de gente, de ficar rodeada de gente, do mistério e possibilidade de descobertas que cada ser carrega, e por isso aprecia uma boa conversa, da riqueza que é descobrir e partilhar um pouquinho da experiência de cada um/uma. Sou alguém que ama a vida, adora abraços e beijos e por isso ama fazer aniversário. Gratidão a Deus pela oportunidade de ver a luz do dia e o cair da noite e todas as nuances que o dia a dia traz, por me manter no jogo da vida ainda e um pouco mais, quero mais, permita-me Senhor!
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domingo, 3 de junho de 2018
Uma história
A filha chega em casa no horário costumeiro após o trabalho, a mãe está distraída, porém ouve o pai dizer: "Boa noite filha, o que foi que houve? Está tudo bem?" Imediatamente o coração da mãe palpita, evita encarar a filha para não ver seu rosto com problema, pois isso lhe dói e precisa se poupar de sofrimento, senta-se devagar e ao lado assiste a conversa entre os três (o irmão também está presente, ainda bem), todos os que mais se importam naquele núcleo estão ali e atentos àquela jovem. Ela está assustada, decepcionada e triste com o que lhe ocorreu; conta-lhes que naquela tarde mudou o local costumeiro onde espera o ônibus após o trabalho, ela e os amigos achavam-se protegidos por estarem em três, no entanto isto não inibiu os assaltantes de roubaram-lhes os pertences, ela a princípio foi poupada porém os assaltantes retornaram e a sensação de uma mão em seu pescoço com uma faca e o olhar de medo dos amigos foram indescritíveis, fizeram-na ficar paralisada e efetuar a entregar do aparelho celular que acabara de comprar. Todos a abraçam e Ela ainda ansiosa por falar diz: - Mãe, os assaltantes estavam bem vestidos, acima de qualquer suspeita, limpos, cheirosos, ainda sinto o cheiro do perfume dele próximo a mim, estranha, inexplicável sensação, incrível o medo que senti em questão de segundos, meus amigos choraram muito e um deles quando viu o assaltante voltando pensou que era porque o aparelho dele um Ifone é difícil desbloquear e os assaltantes não gostam, ele soube inclusive que pessoas foram esfaqueadas por isso. Esse meu amigo está muito arrasado e traumatizado pois como se não bastasse ele sofre de depressão. - E você filha como está? - Depois que entrei no ônibus é que veio a tremedeira e o choro da violência emocional que sofri, porém graças a Deus estou aqui, bem e com Vocês. Braços estendidos, Sorrisos de alívio, mais abraços, choro. A mãe desolada, tomada pela tristeza por não saber, não ter o que fazer para proteger-se e proteger sua família, o pai e o irmão também visivelmente abalados, se sentindo impotentes mediante a violência que todos estão sujeitos. Repentinamente o irmão providência-lhe um chá com ervas que acalmam, o pai abre um chocolate com poderes mágicos, e mais abraços são trocados. Aos poucos a dor é aliviada, as almas ficam mais leves, a filha lamenta pois terá que pagar por um aparelho celular que não chegou a usar. Pai e mãe lembram e relatam assaltos que sofreram, o pai recorda especialmente de um, quando estava com um dinheiro extra que lhe permitia comprar uma aliança nova para sua mãe, e a indignação que ficou, da raiva sentida na hora, momentaneamente a revolta retorna exasperado fala que ainda bem que não tinha uma arma, pois naquela hora não sabe o que faria, momento este que a filha apesar de todo sentimento que sentia falou: - Não pai, um aparelho celular, aliás não há objeto que valha a vida de uma pessoa, nem toda a raiva justifica a morte de alguém, não sabemos as circunstâncias que o levaram a fazer algo assim. Todos se entreolham e agradecem a sua sensibilidade, por lembrar-lhes seus valores. A mãe lembra-se especialmente de um assalto que sofreu há vinte anos, ou seja, concluem que a violência ocorre não é de hoje. Há um verdadeiro colóquio. Surgem críticas à política de segurança praticada há anos no país, e que comprovadamente não funciona, não reduz a violência, fala-se sobre questões sócio-culturais e a ineficiência do Estado, das políticas educacionais e etc. A conversa flui por horas como alguns dias não ocorria, fala-se de sentimentos, como medo, insegurança, de formas de enfrentamento dessas questões, fala-se do amor pelo país, da vontade de apesar de tudo jamais sair do Brasil; a não ser que o porte de armas seja liberado, concluem que este é um bom motivo para procurar um outro lugar. Há uma viagem em vista, planeja-se dar um jeito e ir todos, há um sentimento de unidade, de união, de amor, manifesta-se a vontade de fazer algo muito bom juntos e uma viagem é sempre algo prazeroso, capaz de ocupar a memória com imagens e boas sensações que suplantam outras não tão boas. Isso bora fazê-la acontecer.
domingo, 20 de maio de 2018
A morte de alguém
Vez ou outra somos pegos de surpresa com a morte de alguém. Pensamos: "Como assim?" O pensamento demora a processar a informação, a verdade que dói; de hoje em diante tal pessoa não estará acessível a um abraço seu, a um sorriso, a um bate papo, ao aprendizado. E diante do inexplicável entregamos pra Deus. Nessas horas nos damos conta da nossa finitude, um a um todos se vão. Prá onde? Não sei. Quero crer que nos encontraremos de novo, aliás isso alimenta-me, conforta, alivia minha dor ante a passagem de seres queridos desta vida. Um fenômeno ocorre após a notícia da partida, a pessoa vira notícia, de um momento para outro queremos recordar é absorver tudo sobre ela, das coisas que dizia, da forma que se expressava, da sua história, trajetória; imediatamente a saudade se instala e permanecerá em quem era de seu convívio e a pessoa viverá nela, com ela a partir de suas lembranças. Esse é seu legado, essa é uma certeza.
domingo, 6 de agosto de 2017
Siga em frente
Deu vontade de escrever, falar com você agora, da angústia que me assola, que aliás assola todos nós. Dizer que o que se sente é autêntico, é humano, que por certo Deus perdoa. Queria poder te dizer que não se sintas assim, mas fazer o que? Como se diz: faz parte. No entanto dIgo a você que tudo nessa vida é passageiro; como dizem também: Não há mal que sempre dure. É certo que há um bando de fracassados que sentem inveja da sua alegria, de suas conquistas/realizações; que se regozijam com a miséria, com o sofrimento alheio. Estes quando no poder, procuram nivelar as pessoas por baixo, quando deveriam promover o bem comum, assegurando dignidade e igualdade de direitos a um patamar mais alto. Isso me perturba bastante, mas muito mais quando vejo um semelhante parece que conformado e por que não dizer com uma pontinha de satisfação pelo lamento, pelas perdas do outro, talvez por não ter tido, ou não tenha o que Ele vê no outro como privilégio. Matemática estranha essa e os donos do tabuleiro sabem manobrar essas fraquezas humanas com esmero. Daí minha real preocupação, as próprias pessoas quando deveriam ser um agente de transformação, são massa de manobra para o intento dos jogos de poder. Bem, lamentavelmente ao longo da história, isso sempre existiu, é uma parte do motivo da nossa existência, é o que paradoxalmente promove nossa evolução, vai filtrando, aprimorando, moldando nosso caráter. Enfim, quero te dizer que, Vá, se alimente no outro, contigo há uma multidão, ainda que muitos não queiram. É certo que a força interior que tanto procuras (o Deus que há em mim), e que faz com que vençamos os obstáculos, o medo e a dor, se manifesta no encontro, na busca, no movimento. Então, vá! Titubeando mas vá, como dizem: o que não nos mata, nos fortalece. Continue desbravando, mostrando o que há de melhor em Você.
terça-feira, 2 de maio de 2017
Quando estiver triste
Quando estiver enlutado, com o coração anuviado, sinta a pulsação, a respiração, o clima, vista-se de cor, qualquer cor, tome um café, pode ser um leite quentinho também, caminhe a passos lentos, acelere um pouco mais, sinta o comichão do sangue fluindo, observe uma flor, um pássaro que voa, procure um olhar cúmplice, cumprimente alguém e Deus se manifesta e o riso vem, a alegria vem se não de manhã, no cair da tarde.
terça-feira, 18 de abril de 2017
Na selva urbana
Por que Eu? Por que logo comigo? O correto: por que não Eu? Por que não comigo? Vivemos numa selva não sei se perceberam, assim sendo, somos vulneráveis, ainda que paradoxalmente estejamos em meio a uma multidão. Portanto, como na selva, evite caminhar sozinho, em lugares ermos, escuros; e se assim for, levar um cajado para auxiliar no caminho para tatear o solo onde pisa, e levar consigo somente o que possa carregar, o essencial; em ambas as situações, devemos cuidar dos pertences que para nós tenham algum valor, não expô-las ao perigo. Isso é cuidado, é vigiar, vigiar sempre como já dizia o versículo. E em todas as situações, levar Deus no coração.
domingo, 15 de janeiro de 2017
Em tempos difíceis
Me atrevo a pensar e dizer que talvez, essa seja uma oportunidade para uma revisão de vida, tipo, nossa terra, nossos valores, a partir da visão macro, focar no micro. Temas como: Minha casa minha vida no sentido abstrato, checar valores, no Ser ao invés do Ter, resgatar no interior sentimentos como compaixão, solidariedade, partilha. A humanidade está em xeque, parece que de tempos em tempos, a ganância, a vaidade humanas, chega a um limiar tal que a coisa implode, e é necessário começar de novo e de novo. A questão é sobreviver ao caos, não é uma questão somente da matéria, mas manter se vivo em corpo e espírito, consegue quem na turbulência dá as mãos e caminha juntos e carrega um Deus interior. "Fé na vida, fé no homem, fé no que virá, nós podemos muito, nós podemos mais, vamos lá pra ver o que será." Nós vamos atravessar Eu sei. Um beijo no seu coração.
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Sobre cuidado - 08.12.2016
Pensando aqui que temos que cuidar uns dos outros e também de nós mesmos. Como assim? No dia a dia, tomar conta do ambiente; em um espaço comum, porém de uso coletivo não tem essa coisa de quê os incomodados que se retirem, é fazer sua parte, chamar o outro/a outra à responsabilidade, à ação também, é conversar para que o ambiente seja harmônico a todos, seja no lar, seja no ambiente de trabalho, escola, etc., as vezes é incomodar mesmo, mas onde estiver esteja vivo, atuante. Isso significa trabalho e nesse movimento significa relacionar-se com pessoas, estar atento às demandas do lugar e em quê, no que posso fazer para contribuir; espontaneamente e/ou perguntando mesmo. De outra forma e complementar à primeira, é cuidar de si, não sei de vocês, mas tomando como exemplo a percepção de mim mesma, sinto as vezes uma dualidade, um outro ser em mim. Então, é ficar antenado com meu interior, conversar comigo mesma(o), com esse "ser" que interage/interfere nos meus propósitos, é tomar conta dos meus pensamentos, duvidar de mim mesma(o) Sim porque a gente se trai, esse "ser" as vezes tenta roubar minha/sua paz de espírito, implantar pensamentos auto destrutivos, o desânimo, a tristeza no coração. Então, é olhar-se no espelho, procurar enxergar-se a si no emaranhado de coisas, é desfazer-se do que está morto, velho, descascado, manchado, é enfeitar-se, passar um hidratante no corpo, colocar uma roupa que te identifique, que te faz presença, é pintar a casa, passar um batom, sorrir pra vida, estar aberto às emoções, para o novo, às várias possibilidades; é proteger os pés e o corpo adequadamente para as intempéries da vida, é rever a bagagem, preparar a mochila, continuar o percurso que só Deus sabe, mas confiar, é transpor os pedregulhos mas ficar atento às pérolas do caminho. Raimunda Silva de Santana, inspirada.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Manuelzinho
"Seu Manuelzinho" é um Senhor pequenino que conheci hoje num abrigo para idosos. Assim que cheguei, muito elegantemente se apresentou, muito arrumado e cheiroso recebeu-me com um beijo e abraço afetuoso como se fôssemos velhos conhecidos, pedi-lhe que passeasse comigo pelo lugar para conhecer e muito alegremente o fez; no caminho apresentou-me a todos que pôde (sem soltar o meu braço ou minha mão) como sua nova amiga, começou primeiro pelo seu aposento, uma grande ala (galpão) masculina, muito simples, separado por divisórias de média altura, com quatro camas de solteiro em cada compartimento. Mostrou-me seus objetos pessoais, tudo muito limpo e organizado em um pequeno armário, perguntei-lhe se precisava de algo e respondeu-me que tinha mais que o necessário, que não sabia o porque de tantas roupas (seis camisas e três calças se não me engano) e outras poucas coisas. Perguntei-lhe se era feliz e Ele disse-me que muito, ficar triste prá quê? Que ali era a casa D'Ele, que tem amigos e é querido que as poucas coisas que o aborrecem é que nem todos colaboram para a organização da casa e alguns não respeitam os outros e fumam em qualquer lugar e Ele não gosta pois não se dá bem com cigarros e nunca fumou. Seu Manuelzinho crê em Deus e é Filho de Maria, é músico, tocou violão enquanto pôde, gosta de futebol e praticou Karatê também. Suas duas esposas se foram, Têm duas filhas que estão por aí que um dia aparecerão para lhe visitar, começa o dia procurando por Luciana a Técnica de enfermagem do lugar, para lhe abraçar pois é a cuidadora preferida porque gosta de rir é carinhosa e lhe dá atenção. Ao final da visita esqueci-me que Ele tinha 86 anos pois parecia uma criança cheia de vida e alegria de viver. Disse-me que é bom conselheiro e que se Eu precisar está à disposição; acho que vou precisar.
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
Vida
O que é a vida senão um eterno ir e vir, uma constante inquietação, uma energia que te alimenta constante, incessantemente, que não te deixa morrer? Uma energia tal que ainda que o corpo físico te diz não, que fatos aconteçam e te deixam por vezes triste e amargurado, insiste, persiste e não deixa que a última fagulha de seu Eu se apague e faz você pensar que pode inclusive vencer o que chamamos de morte? Ah a vida, que me alimenta que me faz procurar nas mínimas e pequenas coisas a beleza, o inexplicável, aquela coisa que nos deixa embebecidos, muitas vezes incrédulos, que nos emociona. Muitos chamam de Deus, o fato é que não importa como a chamem é o que nos move, o que nos nutre.
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