Que audácia a minha, escrever e disponibilizar algo que pode interessar só a mim, enfim...
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quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Visita
Tenho em meu jardim, um certo passarinho que estava a deixar saudade. Há meses tentava dentre outros, identificar seu canto, e Eu dizia "o que há de errado? Será que foi embora, para outras paragens? " E ouvia, " calma não é seu tempo, é o tempo dele", (aliás essa frase se aplica a mim, de vez quando, mas essa não é a questão do momento) e eis que ouvi seu canto, do passarinho trovador, temos uma conexão Eu e Ele, Ele e Eu. Me falou das coisas que observou, das suas visões do alto, sobre as coisas do mundo, e falou, falou, como falou, um tagarela Ele, me atualizando sobre tudo, e Eu escutando, sua perfeita melodia, admirada com sua performance, passarinho de peito de aço. Em um dado momento, ali naquela perfeita sintonia, veio-me a presença de meu Pai, Ele que em sua simplicidade imitava assoviando, com perfeição o som dos pássaros para nós crianças. Estou emocionada ainda, pois podem achar que é loucura, mas senti sua presença, meu querido Pai me visitou naquele passarinho.
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domingo, 23 de julho de 2017
Cidades pequenas
Coisa boa são cidades onde as pessoas, segundo uma amiga disse, não vivem emboladas, não há lixo espalhado, há sinais de um certo zelo das pessoas com suas coisas, há menos coisas descartáveis, há mais flores, os terrenos não tem muros, as casas não tem grades nas portas e janelas e tampouco nas praças, nelas os gramados e bancos são um convite pra sentar, bem como os armazéns, as biroscas. Até mesmo na periferia percebe-se nos mais humildes um quê de dignidade. A vida parece correr devagar, com menos gastos com futilidades e poucos aborrecimentos. Os sonhos das pessoas se resumem a ter uma boa comida, bebida, um estudo suficiente, algum dinheiro e uma festa de vez em quando pra se enfeitar, e qualquer motivo é um espaço pra prosear. Em lugares assim parece que o céu é mais azul, os pássaros são vistos e se escuta seu canto; com certeza a respiração é mais leve e as pessoas se olham nos olhos, prestando atenção umas nas outras, o bom dia é espontâneo e o sorriso também. Coisas como aparelho celular, notebook, etc. ainda são novidades e parecem não fazer falta; aliás ainda é visto como falta de educação quem tem, usá-los quando estão com outras pessoas. Lugares assim fazem a gente ponderar sobre estilo de vida, sobre valores, sobre limites, que a busca desenfreada pelo ter sempre mais, faz o ser ficar esquecido e isso traz infelicidade. Reflete-se que para viver basta ter o necessário e como já dizia uma musiquinha de um desenho infantil, o extraordinário é demais.
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Instante
Porque o instante existe, e é preciso o riso, o canto, o encontro; para que a vida se manifeste e o calor minimize a agonia, a dor que insiste.
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