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sábado, 2 de dezembro de 2017

Cena cotidiana

O Natal se aproxima, vamos ficando mais sensíveis (Sério?), bem digamos que sim. Um mendigo chamava a atenção de transeuntes na rua, deitado na calçada de vez em quando se mexia de um lado pro outro, corpulento, a sujeira impressionava. Ao mesmo tempo que pensava, ouvia: "Esse aí pra limpar só com lava jato". Será que não tem família? pensei alto e uma pessoa responde: "Dona, quando chega nesse estágio,  a família não tá nem aí, é capaz de passar perto e fingir  que não conhece." Penso: "Será isso possível? Não, mesmo distante alguém pode estar com o coração aflito, pensando onde estará meu filho? Meu pai? Meu marido? Meu irmão?" Continuo instigando e a pessoa diz: "Dona, esse não tem mais jeito, chegou no fim, não tem recuperação, não há o que fazer." De novo penso: "Será?" Outro fala: "Antigamente, havia uma atividade das Prefeituras onde funcionários passavam pelas ruas recolhendo essas pessoas e levavam para um abrigo para cuidar, havia alguma assistência, a gente não via gente assim não". Verdade? Que aconteceu? "É a roubalheira Dona, o dinheiro vale mais que tudo, gente é investimento, gasto, dá trabalho e as pessoas andam intolerantes, sem tempo. A Senhora não vê? As pessoas preferem cuidar de um animal do que de gente?! " (Não desmerecendo os animais, veja o contexto da situação); outra pessoa do meu lado diz: " Pelos traços dele, deve ser um migrante, essas pessoas que vêm para as grandes cidades para trabalhar, chega não encontra nada, se vê sozinho, sem dinheiro e acaba na sarjeta sem condições de voltar." ... "pois é, o que não seria dar abrigo, banho, uma cama limpa pra dormir, sopa quente, o cuidado das feridas, dos pés rachados..." outro diz: "Ãh vai saber o que o levou a ficar assim.? " (Lembrei de uma mãe e sua angústia; com uma sacola de roupas, comida e outras coisas, procurava pelo filho no centro do Rio. Eu estava lanchando em uma praça e Ela sentada a meu lado me disse que vez ou outra procurava pelo filho por ali e sofria por não conseguir compreender o porque dele ter optado em viver nas ruas, sabendo que tem família, uma casa limpa e quentinha). Conjecturas.  A cena é peculiar porque se dá em uma avenida com lojas variadas, há um fluxo grande de pessoas e as que observam a cena e conversam entre si estão paradas no ponto de ônibus. Ao lado do homem caído há ambulantes com suas mesinhas, o vendedor de chocolates garoto, o carrinho de churros, na calçada há também, duas mulheres vendedoras que disputam a atenção, andam de um lado a outro; enfeitadas e no saltinho conseguem manter uma bolsa pendurada com apetrechos diversos no ombro e uma vasilha plástica em um  braço, e demonstram o que o incrível cortador de legumes faz, cortando couve fininha, a cenoura, a beterraba e o que mais se queira cortar no preparo de refeição.Vez ou outra alguém para, olha e compra o produto. Resisti. Em um dado momento o mendigo se levanta, pega um toco de cigarro no chão, revolve a lixeira, atravessa a pista do nada, caminha entre os carros e não é atropelado. Um velhinho com dificuldade, de muletas salta de um ônibus; que degrau alto meu Deus, fico aflita, um jovem aparece para ajudar. O velhinho também, devagar e com suas muletas caminha e de repente atravessa a pista e pasmem não é atropelado. Penso: é, a proteção divina proteje os mendigos, os desvalidos. Ainda agora penso, o que nos impede de dar acolhida, proteção a alguém? Nesse contexto, a impressão que fiquei é que as pessoas observam sim, algumas até se incomodam e gostariam de ajudar, fazer algo; mas tratam mais é de cuidar de si, cada um cuidando de sua sobrevivência e de sua família pois do contrário, quem haverá de cuidar? Quiça voltemonos uns para os outros, a se ajudar, se apoiar, pois juntos somos fortes. Não queira ser uma ovelha desgarrada pois ficará abandonada à própria sorte.




domingo, 15 de janeiro de 2017

Sobre cuidado - 08.12.2016

Pensando aqui que temos que cuidar uns dos outros e também de nós mesmos. Como assim? No dia a dia, tomar conta do ambiente; em um espaço comum, porém de uso coletivo não tem essa coisa de quê os incomodados que se retirem, é fazer sua parte, chamar o outro/a outra à responsabilidade, à ação também, é conversar para que o ambiente seja harmônico a todos, seja no lar, seja no ambiente de trabalho, escola, etc., as vezes é incomodar mesmo, mas onde estiver esteja vivo, atuante. Isso significa trabalho e nesse movimento significa relacionar-se com pessoas, estar atento às demandas do lugar e em quê, no que posso fazer para contribuir; espontaneamente e/ou perguntando mesmo. De outra forma e complementar à primeira, é cuidar de si, não sei de vocês, mas tomando como exemplo a percepção de mim mesma, sinto as vezes uma dualidade, um outro ser em mim. Então, é ficar antenado com meu interior, conversar comigo mesma(o), com esse "ser" que interage/interfere nos meus propósitos, é tomar conta dos meus pensamentos, duvidar de mim mesma(o) Sim porque a gente se trai, esse "ser" as vezes tenta roubar minha/sua paz de espírito, implantar pensamentos auto destrutivos, o desânimo, a tristeza no coração. Então, é olhar-se no espelho, procurar enxergar-se a si no emaranhado de coisas, é desfazer-se do que está morto, velho, descascado, manchado, é enfeitar-se, passar um hidratante no corpo, colocar uma roupa que te identifique, que te faz presença, é pintar a casa, passar um batom, sorrir pra vida, estar aberto às emoções, para o novo, às várias possibilidades; é proteger os pés e o corpo adequadamente para as intempéries da vida, é rever a bagagem, preparar a mochila, continuar o percurso que só Deus sabe, mas confiar, é transpor os pedregulhos mas ficar atento às pérolas do caminho. Raimunda Silva de Santana, inspirada.