segunda-feira, 27 de junho de 2011

Coração em festa

Meu coração está em festa. Não sou expansiva e talvez não o demonstre, mas Sou feliz pelas escolhas que fiz, pelos relacionamentos, pelas amizades. Feliz mesmo pelo horizonte que vislumbro, como uma paisagem, composta pelo mar aparentemente tranquilo com nuvens e montanhas intransponíveis que deixa entrever os raios do sol que se põe e esse emite uma luz suficiente a iluminar todo o cenário, como um pano de fundo da tela do computador, dominando a cena, como a fé que me move, a esperança que carrego e a coragem que me persegue.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Manuelzinho

"Seu Manuelzinho" é um Senhor pequenino que conheci hoje num abrigo para idosos. Assim que cheguei, muito elegantemente se apresentou, muito arrumado e cheiroso recebeu-me com um beijo e abraço afetuoso como se fôssemos velhos conhecidos, pedi-lhe que passeasse comigo pelo lugar para conhecer e muito alegremente o fez; no caminho apresentou-me a todos que pôde (sem soltar o meu braço ou minha mão) como sua nova amiga, começou primeiro pelo seu aposento, uma grande ala (galpão) masculina, muito simples, separado por divisórias de média altura, com quatro camas de solteiro em cada compartimento. Mostrou-me seus objetos pessoais, tudo muito limpo e organizado em um pequeno armário, perguntei-lhe se precisava de algo e respondeu-me que tinha mais que o  necessário, que não sabia o porque de tantas roupas (seis camisas e três calças se não me engano) e outras poucas coisas. Perguntei-lhe se era feliz e Ele disse-me que muito, ficar triste prá quê? Que ali era a casa D'Ele,  que tem amigos e é querido que as poucas coisas que o aborrecem é que nem todos colaboram para a organização da casa e alguns não respeitam os outros e fumam em qualquer lugar e Ele não gosta pois não se dá bem com cigarros e nunca fumou. Seu Manuelzinho crê em Deus e é Filho de Maria, é músico, tocou violão enquanto pôde, gosta de futebol e praticou  Karatê também. Suas duas esposas se foram, Têm duas filhas que estão por aí que um dia aparecerão para lhe visitar, começa o dia procurando por Luciana a Técnica de enfermagem do lugar, para lhe abraçar pois é a cuidadora preferida porque gosta de rir é carinhosa e lhe dá atenção. Ao final da visita esqueci-me que Ele tinha 86 anos pois parecia uma criança cheia de vida e alegria de viver. Disse-me que é bom conselheiro e que se Eu precisar está à disposição; acho que vou precisar.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Amor aos olhos de uma criança

ELe tinha uns 8 anos e perguntou-me quem Eu amava e de forma direta e simples para que entendesse fui pontuando: Eu amo você, sua irmã, seu Pai, sua avó, minha mãe, meus irmãos, ... . Curiosa retruquei e você quem você ama? Pois Eu mãe, amo todas as coisas desse mundo, aquelas que conheço e não conheço também. Nesse dia me senti envergonhada e pequena; recebi uma lição que serve para mim até os dias de hoje e vez ou outra rememorizo para não esquecer e amar sem seleção e tentar olhar o mundo com os olhos de uma criança.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Dias nublados

Dias nublados! Tenho estado assim há alguns dias. Assim como? Devem me perguntar. Como os dias nublados, sem sol, muitas nuvens, céu carregado... será que vem chuva? Entendam, não que sejam ruins; mas te impedem muitas vezes de sair de casa, os pensamentos vagueiam, preocupados com sei lá o quê, a angústia te ronda e um certo sentimento de solidão, de limitação te cercam; situações mal resolvidas afloram com desejo de atenção e solução. Dias assim são úteis pois nos levam a reflexão/revisão de práticas cotidianas, a dar um pouco de tempo e lançar um olhar para si mesmo. Fazer o quê, é ruminar esses pensamentos, ver o que há de errado, tentar corrigir. às vezes chorar e aguardar; como se diz: dar tempo ao tempo. È um ciclo, assim como a terra. Para que as sementes germinem e as plantas cresçam gerando flores e frutos é necessário não somente o sol, mas sombra e água também, para limpar tudo e o sol possa brilhar de novo.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cicatrizes

A vida é um acumular de cicatrizes. À primeira impressão parece algo catastrófico mas não é. Vejamos: Com o passar dos anos vamos adquirindo com o que chamamos envelhecimento marcas do tempo (que muitos tentam esconder), marcas essas que exprimem o tempo vivido (alguns mais, outros menos) em seu sentido literal; em algumas pessoas o conjunto dessas marcas dá para dimensionar se tiveram/têm uma vida de dificuldades/ sofrimentos ou se foram privilegiadas com uma vida tranquila, sem grandes aborrecimentos ou infortúnios. Nessas marcas, temos incluídas as de expressão, pelo conjunto que repetidas vezes acionamos determinados músculos do corpo e faciais, das vezes que sorrimos, que franzimos a testa que enrugamos os lábios, etc.... Há ainda as marcas adquiridas,  as cicatrizes oriundas de um traumatismo, um corte, uma intervenção cirúrgica, algumas inclusive são opcionais, oriundas de uma escolha. Tenho feito a minha coleção de cicatrizes, meu corpo está marcado de histórias, algumas me proporcionam mera observação de como foram/ vão se formando à medida que o tempo passa, outras foram adquiridas na tentativa de afastar a dor, de protelar a finitude nessa vida, de gozar por um pouco mais de tempo, de independência para me expressar e como única escolha de mostrar que a vida insiste, que é de luta. Ia me esquecendo das cicatrizes da alma, que também vão se acumulando. O fato é que ninguém passa pela vida incólume, sem marcas e isso é bom, é como um registro de tudo o vivido, o experimentado, algumas cicatrizes ao final não passam de sinais, de algo lacrado, algo que surgiu mas que passou, não existe mais, outras estão ali para te lembrar, são deveras cicatrizes de algo que ainda insiste e que precisam ser resolvidas, ser melhor tratadas, curadas para que não passem de meras marcas.Continuarei aumentando minha coleção, pois continuo vivendo.

Vida

O que é a vida senão um eterno ir e vir, uma constante inquietação, uma energia que te alimenta constante, incessantemente, que não te deixa morrer? Uma energia tal que ainda que o corpo físico te diz não, que fatos aconteçam e te deixam por vezes triste e amargurado, insiste, persiste e não deixa que a última fagulha de seu Eu se apague e faz você pensar que pode inclusive vencer o que chamamos de morte? Ah a vida, que me alimenta que me faz procurar nas mínimas e pequenas coisas a beleza, o inexplicável, aquela coisa que nos deixa embebecidos, muitas vezes incrédulos, que nos emociona. Muitos chamam de Deus, o fato é que não importa como a chamem é o que nos move, o que nos nutre.

sábado, 9 de abril de 2011

Sobre a tragédia em escola no bairro de Realengo no Rio de Janeiro

Saldo de mortes nesse episódio até o momento: 13 (sendo 12 crianças).
E quantas mais irão? Todos os dias assistimos estarrecidos tragédias familiares, pessoas matando umas as outras e gente inocente morrendo, como essa catástrofe no Rio de Janeiro com a morte de crianças em uma escola no bairro de realengo.
Vejo também com muita tristeza que mesmo com tudo isso acontecendo, a intolerância para com as diferenças aumenta, é o lado mais perverso do ser humano se manifestando quando sacaneamos alguém, quando rimos, colocamos apelidos e o tratamos com escárnio e com termos pejorativos, como se fôssemos superiores. Essa vaidade esse se, se (de quem se acha dono da verdade, melhor que os outros), ainda vai nos levar à ruina. Está faltando amor a humanidade, pois paraseando uma frase do texto escrito no jornal O Globo de 09/04 escrito pelo Cineasta Cacá Diegues, " Ninguém nasce racista ou homofóbico, ninguém nasce com preconceito algum", portanto pessoas, acordem, vamos trabalhar isso na nossa conduta, no modo como vemos a vida, resgatar o respeito, a delicadeza, a gentileza em lidar com o outro ainda que julguemos que são pessoas diferentes de nós por algum motivo ou aspecto e acompanhar melhor nossas crianças transmitindo-lhes esses valores de amor ao próximo, de se colocar no lugar do outro antes de qualquer atitude discriminatória.  Não podemos tolerar a intolerância, a injustiça para com o outro, antes de falar de alguém, sobre alguém, vamos buscar observar e ver na pessoa o que Ela tem de positivo e analtecer isso e ajudar para o seu crescimento no que estiver a seu alcance e aí talvez possamos evitar a formação de monstros como esse assassino em série da escola.