quinta-feira, 24 de maio de 2018

Sentimentos negativos

Estou deveras cansada, minha cabeça dói, o motivo de tudo é porque é exaustivo pensar, tentar processar tudo de forma a não enlouquecer, aliás não devia pensar mesmo porque os loucos a despeito de tudo, são alheios ao caos, vivem em seu mundo particular e nesse sentido parecem não sofrer. Atrevo-me a citar trecho de poesia de Carlos Drumond: "Mundo, mundo vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução..." se me chamo Raimunda então? Aí sim, sem solução alguma, pois simplesmente são muitas coisas a resolver. Desde que o mundo é mundo, seu tempo no planeta além de ínfimo, a sua atuação é num espaço muito restrito, basicamente no seu meio familiar e social; a lida é com pessoas, cada uma com sua individualidade, personalidade, ou seja sua contribuição é pequena, não que não seja importante; somente não adianta sofrer por coisas sem sentido, que não se tem controle, ou que não é de sua alçada resolver, ah mas como não se indignar com pessoas que por má fé ou desqualificação alterem a vida de outras pessoas? Ah indignar-se é uma outra questão, aliás em determinadas situações você tem o dever de agir frente a uma situação de injustiça, desinteresse/indiferença de outrem para com o outro,  frente a negócios que visem vantagem financeira sobre o interesse social/humano, e outras tantas situações cotidianas que nos causem aborrecimento, indignação. É a corretora do plano de saúde que no interesse de vender, não esclarece os pormenores ao contratante, e posteriormente  o mesmo se vê as voltas com mensalidades abusivas e sem cobertura para os serviços médicos que necessitava obter;  é a empresa que por ser mal administrada, estar perdendo dinheiro para os acionistas, para agentes internacionais e visar somente o lucro ameaça e demite empregados; é o governo que indiferente às necessidades do povo carente, privilegia grupos e interesses privados para a manutenção de seus representantes no poder; é o político corrupto que só lembra do pobre na hora do voto, é a pessoa que coloca a religião na frente de seus propósitos como se fosse atestado de inidoneidade, de identidade, em detrimento dos princípios éticos e morais que regem as atividades profissionais; é o meliante que aproveitando-se da distração das pessoas, as ameaçam, violentam e as assaltam muitas vezes custando-lhes a vida por um bem material, é a pessoa que reclama da violência e da quantidade de assaltos porém, compra produtos roubados;  e tantas outras situações agressivas cotidianas que nos violentam todos os dias. Embora reconheça que algumas vezes resta-nos somente o sentimento de indignação, de frustração e tristeza devido à sensação de impotência frente à agressão sofrida, que sejamos atuantes no que couber mas jamais omissos e/ou indiferentes.

domingo, 20 de maio de 2018

A morte de alguém

Vez ou outra somos pegos de surpresa com a morte de alguém. Pensamos: "Como assim?" O pensamento demora a processar a informação, a verdade que dói; de hoje em diante tal pessoa não estará acessível a um abraço seu, a um sorriso, a um bate papo, ao aprendizado. E diante do inexplicável entregamos pra Deus. Nessas horas nos damos conta da nossa finitude, um a um todos se vão. Prá onde? Não sei. Quero crer que nos encontraremos de novo, aliás isso alimenta-me, conforta, alivia minha dor ante a passagem de seres queridos desta vida. Um fenômeno ocorre após a notícia da partida, a pessoa vira notícia, de um momento para outro queremos recordar é absorver tudo sobre ela, das coisas que dizia, da forma que se expressava, da sua história, trajetória; imediatamente a saudade se instala e permanecerá em quem era de seu convívio e a pessoa viverá nela, com ela a partir de suas lembranças. Esse é seu legado,  essa é uma certeza.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Velhice chegando

Às vezes olha de soslaio no espelho, uma figura nova está aparecendo, uma senhora distinta, um tanto atrevida se impõe com a força de seus cabelos platinados, da pele com suas marcas curtidas pelo tempo, das muitas experiências que viveu. Olha com curiosidade e respeito, quem é esta que se apresenta sorrateira e decidida a ficar? Não tem jeito qualquer dia menos dia terá que encará-la, e saber para que veio. Tem medo pois o seu olhar é profundo, sabe que irá mergulhar num mar de lembranças e ilusões, do que já foi, e do que há de ser, como um sonho e haverá muitas indagações.  Bem verdade que desde que a viu pela primeira vez, houve uma identificação muito grande; assim como Ela, já não consegue andar muito depressa, tampouco fazer várias coisas ao mesmo tempo, as atividades começam a ser mais pausadas, demoradas, são executadas com mais atenção e cuidado. Não se aborrece por pouca coisa, procura ouvir primeiro, falar pouco, evita pré julgamentos e provocações alheias. Na dúvida fica na sua e sorri. Está dando certo essa estratégia, se a memória falha ou não entendeu ou ouviu direito, não vacila em dizer "repete o que disse por favor?, "onde Eu estava mesmo?" Vez ou outra diz pra si mesma no espelho, "calma..., relaxa..., respira..., não é nenhuma sangria desatada, pode esperar, ou vai...tenta fazer de novo..., você consegue..., não há nada demais em errar....". Olhando bem de pertinho o espelho repara e pensa: "humm...esses olhos, esse jeito..., tantas coisas em comum... Ihh será que somos a mesma pessoa? Que coisa!. Ela é tão insistente e decidida, que o jeito é deixá-la se aproximar. De forma prazenteira, num rompante diz:  - Ei! Senhora! Entre mas vai adentrando devagar, a casa é sua mas não se espalha muito rápido não, de mãos dadas leve-me a apreciar as coisas costumeiras, aos poucos, de forma cadenciada, ritmada, que nos permita saborear o que há de bom, prazeroso, devagar, afinal não queremos tropeçar no caminho, queremos descobrir, colher as coisas deixadas para nós e reespalhá-las, e isso toma muito tempo, temos que viver.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Pressão social

Estaciono meu carro, ele está lá, ando pela calçada ele, eles, ela estão lá, de várias formas e diferentes estaturas, envergaduras, em sua maioria pobres, negros. Alguns carregam os seus poucos pertences, seus cobertores, seu colchão ou um pedaço de papelão, alguns mal dá para ver os olhos opacos, a pele perdeu o viço, os cabelos o brilho, a cor. Quem? Os indigentes, quem estende sua mão tímida, quem a gente evita olhar, mas que não oferecem risco algum. Evitamos (uso esse termo porque tenho certeza que não só a mim incomoda, mas a você também que me lê) porque no fundo nos causa desconforto, porque sabemos que não é justo que não tenham o mínimo de dignidade para viver. Ele, Ela não fez por merecer? Ou fez por merecer? Não creio. Não é uma questão de mérito, é tudo menos isso e tanto Eu como Você sabemos disso, esse é um termo que temos usado para justificar o que é visto como sucesso do que adquirimos/conseguimos alcançar na sociedade catpitalista que vivemos. São diversos fatores sócio, político, econômico e cultural que faz com que pessoas acabem nas ruas, pedintes, indigentes; substantivo terrível esse, ser desprovido de recursos todos, paupérrimo, à margem da sociedade, e que nos envergonha porque sua presença mostra o fracasso social e econômico do país. Algo vai acontecer porque o número é crescente, estão chegando famílias inteiras, alguns se refugiam em condomínios, entre as grades que os separam das calçadas, veem-nos pela janela dos automóveis, dos apartamentos, prisioneiros do próprio medo. Mas não vai ter jeito não, o empobrecimento da população, a continuar como está, chegará a um ponto em que todos terão que sair às ruas e enfrentar a questão; abrir as janelas de oportunidades, de acesso aos chamados privilégios, demonstrar algo um tanto esquecido chamado solidariedade, compaixão. A necessidade fará vencer as barreiras do preconceito, da indiferença. Que bom seria não chegasse a esse ponto, pois ocorre muita dor e sofrimento, porém acaba sendo um prognóstico.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Atrevida

Sou a fruta madura, com a polpa macia, curtida, com sabor pronunciado, marcante, pronta para ser devorada; o pote de doce, tentador, cuja validade ainda está longe de expirar, para ser saboreado aos poucos, devagar e longamente, absorvendo todas as nuances, sabores e perfumes. Sou. Momento bom esse, o da maturidade, a gente como se diz: "se acha".

domingo, 6 de maio de 2018

Luto de amor

Quanto tempo leva o luto de uma separação, da "perda" de um amor, do fim de um casamento? Não sei, porém se foi é porque como se diz, "já deu o que tinha que dar", é perda de tempo ficar imaginando o que poderia ter sido, como seria a vida se ainda estivessem juntos, pois o que você teria para/com aquele amor já viveu, já foi, é passado. Não é culpa sua se não estão juntos ainda hoje, tudo foi vivido intensamente como deveria ter sido e foi bom enquanto durou, pare de ficar se lamentando, se auto infringindo dor e sofrimento infinitamente; chore mas vire a página da história, da sua história. Uma nova precisa ser escrita. Todo dia é um recomeço, um novo despertar, talvez o motivo das frustrações seja porque muitas vezes a gente passa a vida romantizando as situações, moldando uma companhia ideal e o ideal não existe e tampouco é moldavel. Somos levados a crer em padrões, em estruturas perfeitas e nos tornamos infelizes por acharmos que por não atender certos requisitos estamos fora desta situação idealizada e corremos o risco de forçar uma situação, um certo enquadramento das pessoas que amamos a esses conceitos e assim sem perceber começamos a perdê-los, pois deixamos de curti-los no que eles têm de mais encantador que é aquilo que os despertou pela primeira vez, o tempo em que se perdiam juntos, que sorriam juntos, que falavam a mesma linguagem, que eram livres, porém sem se perder de vista, sendo presença sem ser presente. Certo é que não temos controle de nada, nem de nós mesmos, nem do outro, de ninguém, com tudo isso algumas vezes é preciso deixar ir, alguns para não mais voltar. Alguns até voltam por algum motivo, porém o amor, esse só permanece se haver encantamento, admiração, cuidado, vontade de ficar.

Os seres e o mundo

A vida nunca a entendi, morrerei sem entender, sigo vivendo... é bom? É. É boa? É. Meus pensamentos se esvaem ao som dos passarinhos como a me dizer: - Ei! Não se distraia com coisas inúteis que não há explicação, simplesmente aceite e curta a parte que lhe cabe, não adianta querer mudar o mundo, pois simplesmente ele está, segue  com seus fenômenos naturais. Quanto às pessoas, aos seres chamados humanos também não há muito o que fazer, afinal segundo estimativas do momento são mais de (7) sete bilhões de indivíduos, com características únicas, específicas, individuais; impossível não haver conflito mediante tanta diversidade. Entender isso é parte do processo que leva à felicidade, à chamada paz interior, o interessante é que esse fenômeno gera inspiração, agregam pessoas que estão na mesma onda. Vou chamar de natureza esse universo fantástico de seres, de coisas que se movem, que conversam entre si, que ao olhar do alto, em termos globais é gigante mas quando focado na criatura é único, solitário, insignificante, aí sou Eu, você, o pássaro, a pedra;  para sobreviver é preciso interagir, caminhar, olhar para o lado, pro entorno, procurar a nuance das cores, das partes, procurar um amor, um lugar, encontrar um olhar como o seu, como o meu e aí sim, fazer a diferença, pois não será somente um, serão dois, três, uma comunidade. O mundo é um grande ser pulsante, do todo para as partes, das partes para o todo.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Observações de mãe

Hoje sentada na minha frente a observava, a pele perfeita corada,  a forma expressiva de falar, o sorriso largo que faz aparecer a leve covinha no rosto (minha marca), o cabelo naturalmente desarrumado e por isso bonito, o jeito leve, aliás todos naquele ambiente estávamos leves, tudo porque Ela estava/está bem. A conversa correu solta, Eu fazia planos de viagens, de repente a ordem dos lugares que gostaria de conhecer e os que gostaria de fazer com Eles e Ela com seu sorriso maroto dizia: "muito bem mamãe, isso mesmo, aproveite a vida, comece a planejar, faça todos, faça tudo o que a vida lhe permitir". Mais tarde,  Vimos um programa juntos sobre as criações de um famoso confeiteiro, que vive na Sicília (Itália), as tradições e cultura do lugar, com imagens de encher os olhos e dar água na boca, um convite, então Ela me disse,  "vamos juntas na Sicília mamãe?" "Sim, taí uma boa sugestão, vou colocar na programação. Assim seja.