Que audácia a minha, escrever e disponibilizar algo que pode interessar só a mim, enfim...
domingo, 10 de dezembro de 2017
Confiança
Existem frases/palavras que quando ditas dizem muito da pessoa, as condicionam, as imobilizam, não lhes permitindo serem quem são. Permita-me tentar ser um pouco mais clara: Uma pessoa em certa ocasião me contou que desenvolveu um projeto para participar em um concurso, porém para implantá-lo era necessário a participação de seu amigo, devido às habilidades deste, pois juntos sem dúvida formariam uma bela dupla. Este ao ser convidado disse: "Não posso, lá só tem gente boa, feras". Ele retrucou: "Você está dizendo que é ruim? Se estou te convidando é porque te acho bom para o projeto... vamos lá! Podemos até não ganhar, mas podemos fazer acontecer." Demonstrou, explicou os pormenores do projeto, ou seja, não faltaram argumentos para elevar a autoestima do amigo. Diante da negativa acabou que desistiu daquele projeto, pois como disse não havia como fazer sozinho. Mais tarde, o amigo lamentou o fato de não ter acreditado em si, de ter desistido sem tentar, porque dentre o resultado dos que participaram, o deles tinha chances reais de dar certo. Tarde demais o momento havia passado. Então quando um amigo diz que você é bom, não duvide.
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Arrumando gavetas
Ontem quase morri, hoje estou a arrumar gavetas. Para quê tantas coisas? Se tivesse ido, tudo ficaria, nada dessas coisas teriam importância. Hum pode ser que isso sirva a alguém, separo. Vou costurar essa peça rasgada, trocar o elástico desta, ajustar essa. Hum ainda dá pra usar. Ah mas tenho tantas, depois você nunca gostou de nada descosturado, roto, puído, manchado, desbotado. Verdade. Pensando bem, já deu, melhor descartar. Assim sigo a arrumar gavetas, com satisfação.
sábado, 2 de dezembro de 2017
Cena cotidiana
O Natal se aproxima, vamos ficando mais sensíveis (Sério?), bem digamos que sim. Um mendigo chamava a atenção de transeuntes na rua, deitado na calçada de vez em quando se mexia de um lado pro outro, corpulento, a sujeira impressionava. Ao mesmo tempo que pensava, ouvia: "Esse aí pra limpar só com lava jato". Será que não tem família? pensei alto e uma pessoa responde: "Dona, quando chega nesse estágio, a família não tá nem aí, é capaz de passar perto e fingir que não conhece." Penso: "Será isso possível? Não, mesmo distante alguém pode estar com o coração aflito, pensando onde estará meu filho? Meu pai? Meu marido? Meu irmão?" Continuo instigando e a pessoa diz: "Dona, esse não tem mais jeito, chegou no fim, não tem recuperação, não há o que fazer." De novo penso: "Será?" Outro fala: "Antigamente, havia uma atividade das Prefeituras onde funcionários passavam pelas ruas recolhendo essas pessoas e levavam para um abrigo para cuidar, havia alguma assistência, a gente não via gente assim não". Verdade? Que aconteceu? "É a roubalheira Dona, o dinheiro vale mais que tudo, gente é investimento, gasto, dá trabalho e as pessoas andam intolerantes, sem tempo. A Senhora não vê? As pessoas preferem cuidar de um animal do que de gente?! " (Não desmerecendo os animais, veja o contexto da situação); outra pessoa do meu lado diz: " Pelos traços dele, deve ser um migrante, essas pessoas que vêm para as grandes cidades para trabalhar, chega não encontra nada, se vê sozinho, sem dinheiro e acaba na sarjeta sem condições de voltar." ... "pois é, o que não seria dar abrigo, banho, uma cama limpa pra dormir, sopa quente, o cuidado das feridas, dos pés rachados..." outro diz: "Ãh vai saber o que o levou a ficar assim.? " (Lembrei de uma mãe e sua angústia; com uma sacola de roupas, comida e outras coisas, procurava pelo filho no centro do Rio. Eu estava lanchando em uma praça e Ela sentada a meu lado me disse que vez ou outra procurava pelo filho por ali e sofria por não conseguir compreender o porque dele ter optado em viver nas ruas, sabendo que tem família, uma casa limpa e quentinha). Conjecturas. A cena é peculiar porque se dá em uma avenida com lojas variadas, há um fluxo grande de pessoas e as que observam a cena e conversam entre si estão paradas no ponto de ônibus. Ao lado do homem caído há ambulantes com suas mesinhas, o vendedor de chocolates garoto, o carrinho de churros, na calçada há também, duas mulheres vendedoras que disputam a atenção, andam de um lado a outro; enfeitadas e no saltinho conseguem manter uma bolsa pendurada com apetrechos diversos no ombro e uma vasilha plástica em um braço, e demonstram o que o incrível cortador de legumes faz, cortando couve fininha, a cenoura, a beterraba e o que mais se queira cortar no preparo de refeição.Vez ou outra alguém para, olha e compra o produto. Resisti. Em um dado momento o mendigo se levanta, pega um toco de cigarro no chão, revolve a lixeira, atravessa a pista do nada, caminha entre os carros e não é atropelado. Um velhinho com dificuldade, de muletas salta de um ônibus; que degrau alto meu Deus, fico aflita, um jovem aparece para ajudar. O velhinho também, devagar e com suas muletas caminha e de repente atravessa a pista e pasmem não é atropelado. Penso: é, a proteção divina proteje os mendigos, os desvalidos. Ainda agora penso, o que nos impede de dar acolhida, proteção a alguém? Nesse contexto, a impressão que fiquei é que as pessoas observam sim, algumas até se incomodam e gostariam de ajudar, fazer algo; mas tratam mais é de cuidar de si, cada um cuidando de sua sobrevivência e de sua família pois do contrário, quem haverá de cuidar? Quiça voltemonos uns para os outros, a se ajudar, se apoiar, pois juntos somos fortes. Não queira ser uma ovelha desgarrada pois ficará abandonada à própria sorte.
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Standby
Os pensamentos vagueiam, inconstantes, não se fixam em lugar algum, em ninguém, nenhum propósito, nenhum destino. A pessoa que os carregam, encontra-se assim, em "standby", em compasso de espera, recuperando-se, reunindo forças para continuar, está um pouco cansada das frustrações, de ser a protagonista de tudo. No momento quer ficar quieta, curtindo a paisagem, assistindo o desenrolar dos acontecimentos sem Ela. Olhos curiosos a observam, quanto tempo haverá de ficar assim? Ela ignora, faz o básico. O corpo extravasa os excessos na forma de dor. Ah como é bom ficar quieta, só consigo mesma. Humm será que o corpo dói justamente por estar quieto, parado? A planta no vaso também lhe observa, apontando-lhe que também precisa de cuidado, as raízes estão expostas, precisando de substrato, de mudar de lugar. Há um certo arquivo de papéis precisando ser organizado (aliás dois). É preciso encerrar aquele projeto; há um outro para começar. Amanhã, amanhã talvez.
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Madrugada
Do nada, eis que os olhos se abrem, o pensamento se ativa, o corpo se levanta. Ao lado um ressonar tranquilo, ao longe um galo canta, um cachorro late, anunciando que também estão acordados. Sons de veículo na estrada, o relógio marca 4h na madrugada, a cidade dorme, dorme? Não, é um semi acordar, os pensamentos vagueiam, não se fixam em lugar algum, não, não está tranquilo, não está normal.
domingo, 26 de novembro de 2017
Das dores que sinto-parte 1
"Quem me vê sorrindo, não sabe as dores que sinto". Essa frase se aplica a qualquer pessoa. Estranho como no dia a dia tendamos a fazer coisas nossas e do outro. Essa lógica precisa ser quebrada porque senão a pessoa vai inchando, as vezes literalmente, e tendem a explodir, ficam deprimidas ou sentem dores. Se você sente algum desses sintomas, aos primeiros sinais, te digo: Pare. Se não conseguir sozinho, procure ajuda para que te parem. Não queira ser super, isso é personagem de quadrinhos, de filmes, de tv, ou seja; é fantasia. A pessoa normal é de carne, osso e espírito, em uma química perfeita em que nenhum elemento prescinde do outro. Portanto no dia a dia seja responsável, faça o que lhe compete fazer, e isso não é pouca coisa, significa que você estará evitando que outra pessoa assuma uma cota que não é dele(a), estará evitando que a outra pessoa fique sobrecarregada, ou seja estará contribuindo para um mundo mais harmônico.
domingo, 12 de novembro de 2017
Sobre inspiração e motivação
Ando às voltas com a falta de inspiração para fazer algo novo, motivador, daí ouvi de alguém que em determinado instante de sua vida, minhas palavras fizeram diferença, isso me fez pensar sobre o que me inspira. Inspira-me as pessoas. Se vejo um olhar perdido, é motivo para querer encontrá-lo, se ouço palavras desconexas, vejo motivos para tentar dar-lhes sentido, se sinto que a pessoa está sem rumo, sem direção, tento mostrar-lhe o caminho, mal sabem que na verdade Eu quem me encontro a cada encontro; a cada palavra trocada, é meu caminho que vai sendo traçado, percorrido. Então não faltam motivos para seguir em frente.
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