domingo, 15 de janeiro de 2017

Companhia-23.11.2016

A pessoa trabalhando, tarde da noite, Eu querendo ajudar, mas não podendo interferir efetivamente. Sentei ao lado, entretida com uma leitura, num dado momento disse: "Tô aqui sentada sem fazer nada, quero ser companhia de alguma forma, faz de conta que sou um vaso de flores." Eu hein? Às vezes falo cada uma. Só sei que a pessoa sorriu e disse, tá ótimo meu bem.

Sobre cuidado - 08.12.2016

Pensando aqui que temos que cuidar uns dos outros e também de nós mesmos. Como assim? No dia a dia, tomar conta do ambiente; em um espaço comum, porém de uso coletivo não tem essa coisa de quê os incomodados que se retirem, é fazer sua parte, chamar o outro/a outra à responsabilidade, à ação também, é conversar para que o ambiente seja harmônico a todos, seja no lar, seja no ambiente de trabalho, escola, etc., as vezes é incomodar mesmo, mas onde estiver esteja vivo, atuante. Isso significa trabalho e nesse movimento significa relacionar-se com pessoas, estar atento às demandas do lugar e em quê, no que posso fazer para contribuir; espontaneamente e/ou perguntando mesmo. De outra forma e complementar à primeira, é cuidar de si, não sei de vocês, mas tomando como exemplo a percepção de mim mesma, sinto as vezes uma dualidade, um outro ser em mim. Então, é ficar antenado com meu interior, conversar comigo mesma(o), com esse "ser" que interage/interfere nos meus propósitos, é tomar conta dos meus pensamentos, duvidar de mim mesma(o) Sim porque a gente se trai, esse "ser" as vezes tenta roubar minha/sua paz de espírito, implantar pensamentos auto destrutivos, o desânimo, a tristeza no coração. Então, é olhar-se no espelho, procurar enxergar-se a si no emaranhado de coisas, é desfazer-se do que está morto, velho, descascado, manchado, é enfeitar-se, passar um hidratante no corpo, colocar uma roupa que te identifique, que te faz presença, é pintar a casa, passar um batom, sorrir pra vida, estar aberto às emoções, para o novo, às várias possibilidades; é proteger os pés e o corpo adequadamente para as intempéries da vida, é rever a bagagem, preparar a mochila, continuar o percurso que só Deus sabe, mas confiar, é transpor os pedregulhos mas ficar atento às pérolas do caminho. Raimunda Silva de Santana, inspirada.

Sobre os massacres nos presídios - 06.01.2017

O grito dos excluídos, ecoa no ar, o medo da morte dilacera a alma dos que a esperam. E os outros, ah os outros, esses assim como nós estamos muitos em êxtase com as cenas dantescas de sangue e crueldade, outros tomados de horror, paralisados, tolhidos da capacidade de revolta, da indignação, porém com um sentimento profundo de pesar, de luto. A verdade é que ninguém se salva, pobres de nós humanos, enquanto formos alheios, omissos, indiferentes ao problema alheio, estaremos todos condenados. Viva com isso.

Ciúme

Sempre tive medo de gente ciumenta, ciúmes nem sempre é amor, muitas vezes é mais um sentimento de posse, de controle, que tende a impedir que pensemos em outra coisa, que nos anula, que sufoca a si e ao outro e daí uma hora explode. Bom é o cuidar um do outro, é caminhar ao lado de alguém que nos admira e respeita, ambos com autonomia e expressão.
Das flores do meu jardim: Dália.

Quando Ela surgiu, foi uma surpresa para mim, pois Dálias fazem parte da minha memória de infância, belas e suntuosas. Não sei se é uma característica dessa espécie ou são assim mesmo, por meses dá-se por morta,mas aparece fulgurante entre dezembro e janeiro a cada fim e início do ano.

Triste constatação pós impeachment escrito em 5 de setembro de 2016 08:06

É triste constatar que poucas pessoas se dispõem a alcançar o pensamento do outro, olham e não vêem, escutam e não ouvem. O momento que vivemos no país é um bom exemplo, o primeiro movimento onde uma grande maioria das pessoas que não pensam no outro, a não ser de forma imediatista, do assistencialismo, ou que tirem proveito próprio; foram às ruas pelo impeachment da presidenta, e naquele momento, como agora, pouco se importam em acabar com a corrupção de fato, querem melhoria sim, mas preocupados em manter seus privilégios seu "status quo", com sua família e amigos. Ainda agora ficam medindo forças, qual movimento levou mais gente as ruas, qual movimento foi mais ou menos pacífico, quem falou mais ou menos errado, etc... parece-me que pouco mudamos dos tempos de colégio, das brigas de torcida. Gente a hora é largar de picuinhas, abrir os horizontes, expandir o olhar, porque afinal de que lado Você está? dos oprimidos ou dos opressores? Querem mais é continuar batendo continência, para o capital, para o poder e replicando a opressão cadeia abaixo, né? É pouco cristão isso, não acham? Temos mais é que ir pras ruas mesmo, todos. Pois afinal, todos queremos um país melhor. Não é possível que não enxerguem (mas não vêem) que Temer é um presidente ilegítimo, pois quando o Eleitor vota, vota na figura do Presidente, no caso Presidenta e na política e seu programa de governo; sim, Ele também estava lá como vice eu sei, porém quando um presidente se afasta, deve encaminhar as políticas de governo pactuadas votadas e Ele e seus asseclas ardilosamente tramaram tirá-la da presidência, barraram os projetos, o que esse processo vergonhoso de impeachment demostrou, e imediatamente começou a direcionar todas as ações contrárias ao esperado, programas onde claramente privilegia as grandes corporações, ações que promovem mais desigualdade de renda, de oportunidades para os mais pobres, ações contra os trabalhadores, etc. Afinal, que País queremos? Continuar com medo, engradados nos condomínios? Vendo a vida pela vidraça dos apartamentos, dos carros? Parem de olhar pra televisão, ouçam mais seu coração. O mundo é de todos, para todos. Uma humilde reflexão, me perdoem. Beijos no coração.

Queda do avião-Equipe Chapecoense- escrito em 30 de novembro de 2016 21:35

Queremos uma fuga, não há, um esconderijo, não existe. Resta nos encarar nossa estupidez. As análises comprovam nosso (meu?) temor; que a queda do avião que roubou a vida de setenta e uma pessoas, foi a falha humana, (como em quase todos as grandes tragédias materiais que levaram a mortes), no caso devido ao lado mais vil do caráter: a negligência/a falta do cuidado, do respeito para com a vida. Interesses comerciais e financeiros, ganância, arrogância e prepotência, acima dos valores fundamentais. Toda uma cidade chora nesse momento, todo um país sente, lamenta, Eu também por essas perdas irreparáveis. Meu sentimento também é devido, porque concretamente vi na atitude do comandante do avião (e também dono da CIA aérea) o que os políticos há décadas fazem conosco/ a população, como que levando uma grande aeronave, repleta de passageiros que pagaram alto todos os custos da viagem e no entanto somos transportados com negligência, de forma inescrupulosa, sem o devido cuidado/ respeito; onde os interesses do Capital, a manutenção do status quo, das regalias em benefício próprio, valem mais que os interesses, as necessidades do povo. E com o aval de muita gente. Sem alarde vidas se perdem todos os dias, de várias formas, matam-se sonhos, projetos, cria-se ressentimentos, planta-se o desalento, o conformismo, a desesperança. Ainda bem que tenho Cristo em mim, que me alimenta, e muitos amigos a quem contar/partilhar, pensando bem devo dar-me por feliz, muitos não sabem o que isto significa.