sexta-feira, 21 de julho de 2017

Zagaia



Dos causos mineiro, que ouvi por aí-A estória do Zagaia: Reza a lenda que há muito tempo, no tempo da escravidão, dos tropeiros que andavam armados e levavam a boiada  pelas montanhas e sertões, no tempo das lamparinas e colchões de palha, havia um fazendeiro cujas terras ficavam em uma das encostas da Serra da Canastra, no caminho que os tropeiros faziam  para  vender o gado. Sabendo disto, ao retornarem, o fazendeiro lhes oferecia pouso e comida.  Vez ou outra aparecia por lá parentes ou até mesmo empregados preocupados, procurando por pessoas que vieram por aquelas paragens e  misteriosamente haviam desaparecido. O acaso quis que o mistério fosse descoberto  e soube-se assim,  que o fazendeiro construiu uma Zagaia, um pesado tronco de madeira, cheio de pontas, que colocava de forma disfarçada sobre a cama do hóspede. Quando o hóspede se preparava para dormir,  ele ficava atento aos seus movimentos  e enquanto a pessoa dormia, do seu quarto, puxava uma corda e a Zagaia descia e o matava; isso feito,  roubava lhe o dinheiro  e enterrava o corpo atrás da casa. Certo dia, um tropeiro hospedou-se na estalagem quando levava a boiada para vender; o fazendeiro encheu-o de atenção pois sabia que ele retornaria por ali. Enquanto o Tropeiro descansada e fumava um cigarro de palha, a escrava do lugar pediu-lhe o toco do cigarro e Ele generosamente deu-lhe um pedaço do rolo do fumo. A escrava ficou imensamente grata por tal  atitude, pois até então ninguém lhe havia dado tal atenção. Quando o tropeiro retornou da viagem com o dinheiro da venda do gado, o fazendeiro o cobiçara e novamente lhe ofereceu hospedagem, desta feita para roubar-lhe. A escrava lembrou-se do seu gesto e em agradecimento,  alertou-o do risco que corria  e da armadilha do fazendeiro para roubar os viajantes. Assustado e precavido, à noite ele preparou a cena para dormir: acendeu a lamparina, dirigiu-se ao quarto e pressionou  o colchão de palha para fazer barulho como se deitasse, esperou em silêncio e viu a Zagaia caindo sobre a cama tal qual a escrava havia lhe contado e logo após, na penumbra do quarto à luz de lamparina o fazendeiro apareceu e quando se abaixou para conferir que estivesse morto, Ele instintivamente o matou com um tiro no peito. Pela manhã, a polícia após o relato dele e o testemunho da escrava, descobriram trinta e duas ossadas enterradas no terreno da propriedade, das pessoas que haviam passado por lá. Estória sinistra essa, dizem ser verdadeira. A lição dessa história é que devemos tratar todas as pessoas bem, de onde menos se espera pode vir a ajuda que pode salvar sua vida.




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